Posicionamento

Celac: países latino-americanos e caribenhos discutem situação da Venezuela neste domingo (4)

33 membros participam de reunião ministerial extraordinária que avalia posição após sequestro de Nicolás Maduro

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Ministro da Defesa, José Múcio, e embaixadora Maria Laura da Rocha em coletiva sobre invasão estadunidense na Venezuela
Ministro da Defesa, José Múcio, e embaixadora Maria Laura da Rocha em coletiva sobre invasão estadunidense na Venezuela | Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil

Uma reunião ministerial extraordinária da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) ocorre neste domingo (4) para discutir a situação da Venezuela após ataque dos Estados Unidos. A informação foi divulgada pela ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, no início da noite de sábado (3), após mais uma reunião do governo brasileiro sobre o tema.

O ministro titular da pasta, Mauro Vieira, deve participar do encontro por videoconferência. O chanceler estava de férias até segunda-feira (5), mas retornou ao país após a invasão militar estadunidense ao país vizinho.

Com 33 membros, a Celac é o único mecanismo de diálogo e de consenso que reúne todos os países em desenvolvimento do continente americano.

Posição do Brasil

A ministra interina destacou, após a reunião, que o Brasil mantém a posição de condenar a ação militar e cobrar uma resposta vigorosa da Organização das Nações Unidas (ONU), conforme manifestação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na manhã de sábado (3).

“O Brasil continua sendo a favor do direito internacional, que é a posição tradicional brasileira contra qualquer tipo de invasão territorial, e pela soberania dos países”, afirmou Maria Laura da Rocha.

Ela disse ainda que, neste momento, o Brasil reconhece como chefe de Estado na Venezuela a vice-presidente Delcy Rodríguez. “Na ausência do atual presidente, Maduro, é a vice-presidente. Ela está como presidente interina”, afirmou.

Nesta segunda-feira (5), o Brasil participa da reunião extraordinária do Conselho de Segurança das Nações Unidas para discutir a ação estadunidense e o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores. A reunião do colegiado, que tem a participação de 15 membros, foi solicitada pela Colômbia, apoiada por Rússia e China.

‘Afronta à soberania’

O presidente Lula condenou os ataques dos Estados Unidos à Venezuela. Em declaração oficial, ele afirmou que os bombardeios “ultrapassam uma linha inaceitável” e representam uma “afronta gravíssima à soberania” do país vizinho.

“Esses atos representam um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, afirmou. Lula também declarou que o uso da força, em violação ao direito internacional, é o caminho para “um mundo de violência, caos e instabilidade”.

O presidente reiterou que a posição brasileira é de repúdio a ações militares unilaterais e lembrou que o país tem adotado a mesma postura em conflitos recentes em outras partes do mundo. Para Lula, a ofensiva dos EUA “lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe” e ameaça a preservação da região como zona de paz.

Entenda

Na madrugada de sábado (3), os Estados Unidos lançaram uma ofensiva militar contra a Venezuela, atingindo alvos civis e militares em Caracas e em outras regiões do país. A ação levou ao sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores.

O voo que transportava Maduro até os Estados Unidos chegou a Nova York na noite de sábado (3). Segundo o jornal New York Times, o presidente venezuelano está detido na prisão Metropolitan Detention Center, no distrito do Brooklyn.

O governo venezuelano, que tem à frente, neste momento, a vice-presidente Delcy Rodríguez, decretou estado de comoção externa e convocou mobilizações em defesa da soberania nacional.

Durante coletiva de imprensa na tarde de sábado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a Casa Branca quer administrar a Venezuela até que seja realizada uma “transição democrática e justa”. Ele celebrou o sequestro de Nicolás Maduro como um “ataque extraordinário” e indicou que o presidente venezuelano e a primeira-dama estão sendo levados para julgamento nos EUA.

Trump também deixou claro o interesse direto no controle do petróleo venezuelano, afirmando que o recurso foi “roubado” dos Estados Unidos e que será entregue a uma empresa estadunidense.

Editado por: Geisa Marques

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