SOLIDARIEDADE

Protesto em Porto Alegre repudia ataques dos EUA à Venezuela e denuncia ofensiva imperialista na América Latina

Neste final de semana, diversas cidades ao redor do mundo registraram protestos contra o ataque e em defesa da soberania

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A manifestação na Capital foi a primeira de uma série de atos que devem ocorrer ao longo da semana
A manifestação na Capital foi a primeira de uma série de atos que devem ocorrer ao longo da semana | Crédito: ana c.

“Cada vez que os Estados Unidos ‘salva’ um povo, o deixa transformado em um manicômio ou em um cemitério.” A frase do escritor uruguaio Eduardo Galeano voltou a circular nas redes sociais após os ataques militares dos Estados Unidos à Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores. A ofensiva, comandada pelo governo de Donald Trump, teve início por volta das 2h50 (horário de Caracas) e atingiu alvos civis e militares na capital venezuelana, além de instalações nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira.

Neste final de semana, diversas cidades ao redor do mundo registraram protestos contra o ataque e em defesa da soberania venezuelana. Em Porto Alegre, a manifestação ocorreu na tarde deste domingo (4), quando centenas de pessoas se reuniram nas proximidades dos Arcos da Redenção, em solidariedade ao povo da Venezuela.

Durante o ato, palavras de ordem e gritos de “abaixo o imperialismo” ecoaram pelo local. A mobilização foi convocada pelo Sindicato dos Servidores Técnico-Administrativos em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e do Instituto Federal de Educação (Assufrgs), além do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-Ufrgs), com a participação de diversos movimentos sociais e parlamentares gaúchos.

Coordenadora-geral da Assufrgs, uma das entidades organizadoras, Maristela Piedade destacou o caráter internacionalista da mobilização. “Nós chamamos esse importante ato, nesse dia de hoje, em solidariedade ao povo venezuelano, aos trabalhadores e trabalhadoras da Venezuela, em defesa das riquezas minerais da Venezuela. Então, é muito importante que, nesse momento, nós, os trabalhadores e trabalhadoras, a partir de nossas entidades, estejamos unidas e unidos contra o imperialismo e em defesa da democracia”, afirmou.

Também presente no ato, o ex-deputado Raul Carrion destacou o contexto internacional da ofensiva. “Agredindo, atacando, ameaçando, tudo isso chama atenção para outra coisa. O mundo vive uma transição depois de cinco séculos de domínio do Ocidente, de opressão do imperialismo ocidental ou do colonialismo anteriormente. E hoje, companheiros, o Ocidente está em crise. O domínio estadunidense está em crise”, disse.

A deputada estadual Luciana Genro (Psol) afirmou que o ato integra um processo mais amplo de mobilização. “Esse ato é um passo numa grande mobilização que nós precisamos fazer para enfrentar a agressão imperialista do Trump à Venezuela, que não é uma agressão só à Venezuela, é uma agressão a toda a América Latina, é uma agressão aos povos de todo o mundo”, declarou.

Segundo a parlamentar, a ofensiva não tem relação com a defesa da democracia. “Não tem nada que ver com democracia, com restaurar a democracia ou com combater o narcotráfico. É o petróleo, é o ouro, são as riquezas, assim como o imperialismo quer de toda a América Latina. Mas não vão levar”, afirmou, defendendo a unidade dos povos latino-americanos e o repúdio dos governos que se dizem progressistas à agressão.

“É muito importante que, nesse momento, nós, os trabalhadores e trabalhadoras, a partir de nossas entidades, estejamos unidas e unidos contra o imperialismo e em defesa da democracia”, destaca Maristela Piedade | Crédito: ana c.

Ao Brasil de Fato RS, Genro reforçou que as mobilizações em Porto Alegre fazem parte da construção dessa resistência. “Nós estamos aqui em Porto Alegre esquentando os motores para as grandes mobilizações que são necessárias para enfrentar a agressão imperialista que o Trump está promovendo na Venezuela e na América Latina. Nós não admitimos o sequestro do presidente Maduro, não admitimos a intervenção norte-americana”, disse. A deputada também convidou para a construção da conferência antifascista prevista para ocorrer em março, em Porto Alegre, como parte do fortalecimento da unidade e da mobilização popular.

A deputada estadual Sofia Cavedon (PT) destacou que a ofensiva à Venezuela se insere em um cenário global de recrudescimento da guerra e da disputa geopolítica. “Hoje as relações mundiais estão de novo calcadas na guerra, no poder e na tentativa de retomada do império americano sobre o mundo. É uma resistência ao mundo multipolar e à soberania dos povos”, afirmou.

Cavedon também relacionou a defesa da democracia no cenário internacional com o contexto brasileiro. “A democracia não é pouca coisa. Não é longe daqui. O que está acontecendo na Venezuela tem relação com o que vivemos aqui”, ressaltou, defendendo a unidade das forças democráticas e progressistas.

Durante o ato, manifestantes também lembraram a figura de Simón Bolívar. Segundo falas na manifestação, o libertador da Venezuela já alertava, há cerca de 200 anos, que a América Latina estaria destinada a viver sob a ameaça do imperialismo norte-americano, visão que, segundo os participantes, se confirma no atual contexto, com as ameaças à Colômbia.

A manifestação na Capital foi a primeira de uma série de atos que devem ocorrer ao longo da semana, com o objetivo de enfrentar a ofensiva imperialista na América Latina. Para esta segunda-feira (5), está prevista uma mobilização em frente Consulado dos EUA, na avenida Assis Brasil, 1889, Passo d’Areia, em Porto Alegre, a partir das 17h. Já na quinta-feira (8), um novo ato irá ocorrer na Esquina Democrática, a partir das 17h30.

Editado por: Katia Marko

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