SOBERANIA

Ataque dos EUA à Venezuela gera reação de parlamentares mineiros em defesa da soberania

Políticos denunciam ofensiva imperialista de Trump e alertam para ameaça à América Latina e ao Brasil

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VENEZUELA-US-CONFLICT-CRISIS
A capital Caracas foi uma das regiões mais atingidas pelo bombardeio dos Estados Unidos; na foto, o forte Tiuna, ao fundo, em chamas | Crédito: AFP

Uma ofensiva militar sem precedentes contra a Venezuela, liderada pelos Estados Unidos sob o comando de Donald Trump, provocou forte reação de parlamentares brasileiros, especialmente de Minas Gerais, que classificaram a ação como um ataque direto à soberania latinoamericana e uma grave violação do direito internacional. 

Bombardeios em áreas civis e militares, explosões em Caracas e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de Cilia Flores marcaram a madrugada de sábado (3), inaugurando um novo e perigoso capítulo da política imperialista na região. 

Trump assumiu publicamente a autoria da operação e afirmou que os Estados Unidos irão “governar” a Venezuela, não descartando a permanência de tropas no país nem uma nova onda de ataques ainda mais ampla. A declaração, feita durante coletiva em Mar-a-Lago, na Flórida, escancarou a intenção de impor, pela força militar, um regime alinhado a Washington, rompendo qualquer verniz diplomático.

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O governo venezuelano denunciou a ofensiva como uma “agressão militar imperialista”, decretou estado de emergência e convocou a resistência armada, afirmando que o ataque fere frontalmente a soberania nacional e tratados internacionais. Para lideranças políticas brasileiras, o episódio não pode ser tratado como um conflito isolado, mas como parte de uma estratégia histórica de dominação dos Estados Unidos sobre países que resistem ao controle de suas riquezas naturais.

Nas redes sociais, a deputada estadual Bella Gonçalves (Psol) afirmou que, ao declarar que vai “comandar” a Venezuela, Trump revela a imposição explícita de um golpe contra a soberania nacional. Para ela, os bombardeios em áreas civis e o sequestro do presidente configuram crimes internacionais. “A América Latina não é o quintal de ninguém. Nossa soberania não se negocia”, destacou.

A deputada estadual Andreia de Jesus (PT) relacionou o ataque à Venezuela com ameaças concretas à soberania brasileira. Para ela, a extrema direita brasileira vem atuando para criar as condições políticas e jurídicas que viabilizem uma futura intervenção dos Estados Unidos no Brasil. Segundo a parlamentar, uma das iniciativas nesse sentido foi a tentativa de incluir, no chamado PL “antifacção”, a equiparação ampla entre organização criminosa e terrorismo. Andreia ressalta que, na doutrina de segurança norte-americana, a classificação de “terrorismo” é historicamente utilizada como justificativa para interferências externas em outros países.

Na mesma linha, a deputada estadual Leninha (PT) ressaltou que Trump explicita o interesse econômico dos Estados Unidos na indústria petrolífera venezuelana, utilizando o discurso de “paz” apenas como fachada. Para ela, trata-se de mais uma ofensiva que combina interesses corporativos, cinismo diplomático e uso da força militar contra um país latinoamericano independente.

O vereador de Belo Horizonte Bruno Pedralva (PT) classificou a ação como um “absurdo gravíssimo” e comparou a postura dos Estados Unidos às intervenções promovidas durante a Guerra Fria. Segundo ele, Trump retoma a lógica da Doutrina Monroe, tratando a América Latina como território de dominação norte-americana e assumindo abertamente a intenção de controlar o petróleo venezuelano.

Já o deputado federal Rogério Correia (PT) foi enfático ao definir a operação como um ato de terrorismo de Estado. Para ele, o sequestro do presidente e da primeira-dama da Venezuela evidencia uma chantagem internacional em troca de soberania e recursos naturais. Rogério convocou manifestações em Belo Horizonte e relacionou a ofensiva externa ao avanço da extrema direita bolsonarista no Brasil, que, segundo ele, segue ameaçando a democracia nacional.

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A deputada federal Célia Xakriabá (Psol) também condenou duramente a declaração de Trump. Para ela, a afirmação de que os EUA vão “governar” a Venezuela revela um colonialismo sem disfarces, que ameaça não apenas um país, mas toda a América Latina. “Nossos povos não aceitam tutela imperialista”, afirmou.

As manifestações reforçam o entendimento de que o ataque à Venezuela extrapola suas fronteiras e representa um alerta para toda a região. Ao denunciar a escalada militar e política dos Estados Unidos, parlamentares apontam para a necessidade de solidariedade internacional e defesa intransigente da soberania dos povos latino-americanos diante do avanço do imperialismo. 

Manifestações em diversas partes do mundo denunciaram a escalada militar e política dos Estados Unidos contra a Venezuela. No Brasil, atos de solidariedade ao povo venezuelano ocorreram nesta segunda-feira (5). Em Belo Horizonte (MG), uma grande concentração na Praça Sete reafirmou a defesa da paz, da soberania da América Latina e exigiu a libertação do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa.

Editado por: Ana Carolina Vasconcelos

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