O ano que começou com a notícia do sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelo regime de Donald Trump promete ser turbulento no cenário político e, por consequência, também no econômico. Para o economista Daniel Conceição, professor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Ippur/UFRJ), a economia brasileira vai lidar com forças antagônicas.
Em entrevista nesta quarta-feira (7) ao jornal Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Conceição afirmou que a isenção do Imposto de Renda para pessoas que ganham até R$ 5 mil (e o desconto gradual para quem recebe até R$ 7.350) vai ter impacto positivo que poderá ser sentido rapidamente.
“[A isenção] de fato vai garantir renda disponível para que as pessoas compram mais coisas. Isso vai garantir um consumo mais primário, mais básico, que ajuda a simplesmente estimular aquele consumo que a gente deseja que se mantenha saudável”, analisou.
O novo salário mínimo de R$ 1.621, que já está em vigor, também terá impacto no consumo de pessoas de rendas mais baixas, além de forçar o governo a reajustar pagamentos previdenciários, que dão mais força em direção ao desenvolvimento. Por outro lado, Conceição lembra que o arcabouço fiscal “segue firme e forte”, e puxa a economia na direção contrária.
“O governo segue achando que entregar resultados fiscais bonitos é mais importante que entregar resultados materiais para a população, isso eu acho muito contraditório”, ponderou.
Ainda no cenário interno, outro fator que dificulta o crescimento econômico é a alta taxa de juros. A Selic segue em 15% ao ano, e o Banco Central (BC), pressionado pelo mercado financeiro, não indica mudança de direção.
“As previsões pessimistas [do mercado] servem, muitas vezes, para amarrar as mãos do governo para que ele seja obrigado a praticar as políticas que o mercado gostaria que fossem praticadas. Um exemplo claro é a expectativa [de inflação] que eles estão divulgando, um pouco mais alta que a do governo: estão divulgando 4,06%. Isso serve para sinalizar para o Banco Central que ‘olha, a gente ainda não está pronto para ter um ciclo de reduções na taxa de juros'”, criticou o economista.
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