Editorial BdF

Defender a Venezuela é frear a recolonização imperialista

Há muito ainda a esclarecer; o mais importante é denunciar a militarização do continente e exigir a libertação de Maduro

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Manifestação popular na Venezuela | Crédito: Alba Movimentos

Em 3 de janeiro de 2026, os Estados Unidos bombardearam ao menos seis alvos na região de Caracas, capital da Venezuela, e sequestraram o presidente Nicolás Maduro e a primeira-combatente, e sua esposa, Cilia Flores.

Comecemos pelo básico: trata-se de um ataque anunciado há muito tempo. Todos sabíamos que a Casa Branca vinha preparando uma agressão iminente (que não é apenas contra a Venezuela). 

Alguns setores liberais durante essas semanas, no melhor dos cenários, manteve-se em silêncio. Mas, na maioria dos casos, nem isso ocorreu. Uma parte significativa passou a repetir, em coro, a suposta “ditadura” do governo Maduro, alimentando a justificativa simbólica longamente trabalhada pelo imperialismo contra a Venezuela.

Pouco importa se isso foi consciente ou não. Após o ataque, surgiu aquela tentativa tosca de instalar uma espécie de “teoria dos dois demônios”, na qual se aponta timidamente a ação ianque, mas sempre com o cuidado de enfatizar “como Maduro é ruim”.

É verdade que as eleições na Venezuela, nos últimos anos, não ocorreram de forma “normal”. Não é normal que frações da oposição — que ainda participam das eleições — conspirem para facilitar uma intervenção estrangeira; nem que todo o aparato midiático internacional esteja contra você; nem que o Pentágono trabalhe 24 horas por dia, 7 dias por semana, para destruí-lo. Nada disso é normal.

Maduro e Cilia estão sequestrados pelo imperialismo. Não foram “capturados” nem houve uma “extração” — palavras que buscam conferir uma aura de legalidade e legitimidade a um ato criminoso. Não faz sentido condenar o ataque por violar o direito internacional sem exigir, ao mesmo tempo, sua libertação imediata.

O ataque não teve como objetivo derrubar o governo de forma imediata. Durante meses, operações em meios digitais tentaram instalar o “boato” de que um setor do governo “trairia” o presidente. A cada semana, em fóruns de direita e em transmissões ao vivo, afirmava-se que Maduro abandonaria o país ou que este ou aquele funcionário fecharia um acordo com os ianques.

O sequestro de Maduro intensificou essa guerra psicológica. Centenas de articulistas — convertidos em analistas militares improvisados —, sem qualquer informação e de forma completamente irresponsável, passaram a difundir o boato de que o sucesso do ataque estadunidense só poderia ser explicado por uma suposta “traição”, reproduzindo, assim, a propaganda da extrema direita do continente.

Mas, repito: o objetivo estratégico do Pentágono sempre foi romper a unidade do bloco popular. As fake news são parte central dessa estratégia. Ciente disso, o governo venezuelano lançou, nos últimos meses, uma campanha insistindo que — acontecesse o que acontecesse — era imprescindível manter a unidade

Repetidas vezes, as coletivas de imprensa do regime Trump são retransmitidas de forma completamente acrítica por quase toda a mídia, funcionando como um replicador constante de mentiras e propaganda do Pentágono. 

Em contrapartida, as coletivas e declarações do governo da Venezuela — com Delcy Rodríguez como presidenta interina —, sendo o país agredido, são totalmente silenciadas. O mesmo ocorre com as centenas de mobilizações e assembleias populares realizadas em todos os cantos da Venezuela. Que possibilidade real existe se o agredido sequer é ouvido? Ser responsável não é ser submisso, mas tampouco é ser idiota. 

Ainda não temos elementos para conjecturar com exatidão o que foi que aconteceu. Sabemos que — ao contrário do que os Estados Unidos quiseram fazer crer — o canalha ataque ianque foi resistido com ferocidade; sabemos que ao menos uma centena de pessoas entregaram suas vidas combatendo a agressão, entre elas 32 heróis cubanos.

Há muito ainda a esclarecer. E, mesmo assim, podemos compreender o que está acontecendo. O mais importante hoje é denunciar a militarização do continente, exigir a libertação imediata de Maduro e Cilia, e frear a recolonização imperialista.

Enquanto Brasil de Fato, seguiremos fazendo isso: registrando de lá, com nosso correspondente, falando a verdade que muitas vezes é ignorada e dando nomes a quem realmente ameaça a soberania de países da América Latina. Se você está conosco nesta luta, apoie o BdF fazer um pix para: [email protected]

Editado por: Rafaella Coury

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