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Anna Muylaert celebra Globo de Ouro, mas vai na contramão da euforia e afirma que cinema nacional ‘não está numa época boa’

Diretora celebra Walter Salles e Kleber Mendonça Filho, mas cobra mais investimento público contra avanço dos streamings

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Kléber Mendonça Filho e Wagner Moura no set de 'O Agente Secreto'
Kléber Mendonça Filho e Wagner Moura no set de ‘O Agente Secreto’ | Crédito: O Agente Secreto / divulgação

A conquista dos dois troféus do Globo de Ouro por O Agente Secreto, Melhor Ator em Filme de Drama e Melhor Filme em Língua Não Inglesa, são motivos de celebração para a cineasta Anna Muylaert. Entretanto, ela afirma que, de maneira mais ampla, o cinema nacional já viveu momentos melhores.

Em ao vivo nesta segunda-feira (12) ao jornal Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Muylaert afirmou que o filme de Kleber Mendonça Filho é o favorito para vencer o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, repetindo o feito de Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, em 2025. Isso, porém, não reflete o cenário do setor no país.

“Esses dois cineastas estão trabalhando há décadas, são cineastas maduros e ano passado Walter Salles chegou lá. Este ano, Kleber, que é um dos nossos maiores nomes, chega de novo com um filme super especial. Mas, se a gente for olhar o todo do cinema brasileiro, não está numa época tão boa, não”, afirmou.

A cineasta afirma que desde o período da retomada, iniciada no governo de Itamar Franco, em 1993, até o golpe parlamentar que derrubou a então presidenta Dilma Rousseff (PT) em 2016, houve um período de apoio sistemático do poder público ao cinema. Foi o que propiciou o aparecimento de diretores como Mendonça Filho e ela própria, responsável por filmes como Durval Discos e Que Horas Ela Volta?. Muylaert, porém, vê que o momento é outro.

“Hoje tem muito mais filme-pipoca, que vai direto para o streaming, do que filmes que pretendem ser cinematográficos. A política de incentivo ao cinema com o Bolsonaro acabou, e no governo Lula ela ainda não está muito sólida, também”, avaliou. “O apoio precisa ser sistemático para o cineasta poder fazer uma obra e desenvolver”.

Apesar das críticas, a diretora faz elogios ao lembrar que os filmes recentes dos colegas estão inseridos em um cenário político no qual o Brasil, ao contrário dos Estados Unidos, que não combateu efetivamente o ataque ao Capitólio por apoiadores de Donald Trump, julgou seus golpistas.

“Eu acho que esses dois filmes [Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto] tratam da ditadura com olhares muito diferentes. O filme do Walter fala de um caso, de um aspecto. O filme do Kleber abre esse espectro, para isso que a gente chama, que foi uma ditadura civil-militar, que é um aspecto da ditadura que continua vivo tanto quanto na época”, destacou.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Maria Teresa Cruz

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