O Banco de Brasília (BRB) tem somado esforços para reaver recursos e estancar possíveis prejuízos financeiros gerados por transações feitas ao Banco Master, alvo da Operação Compliance Zero, que apura um escândalo financeiro envolvendo o dono da instituição, Daniel Vorcaro.
No início da semana, o BRB divulgou uma nota afirmando que há um plano de capital de aporte do Governo do Distrito Federal (GDF) – principal controlador do banco – definido caso seja confirmado prejuízos à instituição. O comunicado ainda diz que essa possibilidade já foi sinalizada pelo governo.
“Caso seja confirmado possível prejuízo, o BRB já tem pronto um plano de capital que, entre as opções, prevê aporte direto do controlador, que já sinalizou com essa possibilidade, ou outros instrumentos que possibilitem a recomposição do capital do Banco”, diz a nota.
Na última quarta-feira (14), o BRB informou que se reuniu com o liquidante do Master e avançou nas tratativas para reaver recursos que pertencem à instituição. Na nota divulgada, o banco estatal destacou que, como credor na liquidação, respeita a ordem de prioridade dos demais credores, mas “segue atuando para recuperar todos os compromissos pendentes”.
Segundo a investigação da Polícia Federal, o BRB injetou R$16,7 bilhões no Master. Do total, pelo menos R$12 bilhões envolvem possíveis operações fraudulentas. Desde março do ano passado, o banco estatal demonstrava interesse em adquirir 58% do capital total da instituição, em uma negociação estimada entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões.
Mudança na gestão
Depois da deflagração da operação, Nelson Souza assumiu a presidência do BRB em novembro do ano passado. Desde então, ele tem feito mudanças nos principais cargos da instituição.
Na última quarta (15), o BRB informou que elegeu Raphael Vianna de Menezes para o cargo de presidente do Conselho de Administração (Consad). Anteriormente, quem ocupa a cadeira desde 2019 era Marcelo Talarico, que permanece como conselheiro.
Está prevista para 5 de fevereiro uma assembleia geral dos acionistas para deliberar sobre o conselho. Em 19 de fevereiro, deve haver outro encontro para decidir a nova gestão.
Críticas
As recentes manifestações geraram reações por parte dos sindicatos e parlamentares da oposição. Isso porque o governador Ibaneis Rocha (MDB) e a vice-governadora Celina Leão (PP) têm justificado a diminuição do investimento em áreas essenciais devido a uma “crise financeira” que o DF vem passando. Este ano está previsto um corte de R$1,1 bilhão na saúde e R$900 milhões na educação.
A deputada federal Érika Kokay (PT-DF) criticou a escolha do nome cotado para o Consad e lembrou o histórico da gestão de Edison Garcia na CEB, período em que a empresa foi privatizada.
“Isso não é acaso nem escolha técnica. É a repetição de um projeto que enfraquece o serviço público e normaliza tratar o que é do povo como ativo de mercado. O BRB é um banco público e deve ser respeitado. É inaceitável que o BRB tenha espaço para quem já demonstrou desprezo pelo serviço público”, disse a parlamentar.
Contrários à tentativa de compra do Master pelo BRB desde o começo das tratativas, o Sindicato dos Bancários do DF repudiou a ação e disse que a troca “tende a aprofundar a percepção de que o BRB não está corrigindo rumos, mas apenas substituindo nomes dentro da mesma lógica de indicação e proteção política”.
“O episódio é grave não apenas pelo gesto em si, mas pelo que ele expõe: quando uma instituição pública atravessa uma crise que envolve decisões de alto impacto e forte desgaste reputacional, a governança deveria funcionar como instância de contenção, transparência e proteção do interesse público. Se o próprio comando do banco sinaliza necessidade de mudança e o Consad se mantém inalterado, a mensagem que fica é de resistência política, não de responsabilidade institucional”, diz parte do comunicado.
O deputado distrital Gabriel Magno (PT) também condenou a possibilidade de aporte de recurso do GDF no BRB em caso de prejuízo financeiro. Ele afirma que não pode deixar que uma “má gestão” fragilize o patrimônio público e deixe a conta para que a população pague.
“Já sabemos que a prioridade do governo Ibaneis/Celina não é a população do DF. Nas escolhas desse governo, quem vive na cidade nunca vem em primeiro lugar. Banco público é patrimônio do povo. Dinheiro público tem que servir à cidade. O que o governo Ibaneis/Celina vem fazendo com o DF é inaceitável”, publicou nas redes.
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