“Se você vier aos Estados Unidos para roubar os americanos, o presidente Trump vai te jogar na cadeia e te mandar de volta para o lugar de onde você veio”. O texto, em língua portuguesa e sem meias-palavras, foi publicado por uma conta oficial do Departamento de Estado dos Estados Unidos, equivalente ao Ministério das Relações Exteriores.
A postagem se soma a outras ameaças e medidas que, segundo o ativista Álvaro de Castro Lima, fundador do Instituto Diáspora Brasil, cria um clima de “muita apreensão” entre a comunidade brasileira que vive nos EUA.
Lima, que vive em Boston, no estado de Massachussets, participou da segunda edição do jornal Conexão BdF nesta sexta-feira (16) e relatou o que chamou de “um clima de tensão constante” causado e reforçado pelo regime trumpista. Ainda nesta semana, o governo dos Estados Unidos anunciou a suspensão de processos de emissão de vistos de imigração para cidadãos de mais de 70 países, incluindo o Brasil.
“Como imigrante, você vive essa vida esquizofrênica. Estamos aí [no Brasil] e aqui [nos EUA]. Tivemos que fazer várias reuniões com brasileiros, explicando que os vistos [atingidos pela medida] não são de turista, são de migrantes. Várias pessoas perguntaram: ‘Minha mãe não pode vir mais aqui? Meu irmão não pode vir mais aqui? As pessoas não podem mais me visitar?”, contou.
Cada vez mais violenas, as operações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês), geram tensão não só entre os imigrantes, mas também entre os cidadãos dos próprios EUA. Após a morte de Renee Good, uma manifestante cidadã estadunidense em Minneapolis, uma pesquisa mostrou que a população do país está cada vez mais favorável à abolição dessa patrulha.
“Isso não é só sobre imigração. Hoje nós corremos um risco maior, com essas intensificações de operações em áreas urbanas e locais de trabalho e a ampliação do uso de centros de detenção. Essa coordenação de várias forças de repressão é muito perigosa”, alertou.
O ativista compara a atuação das forças anti-imigrantes de Trump dentro do território dos EUA com as ações militares no exterior, como, por exemplo, o sequestro de Nicolás Maduro em Caracas no último dia 3 de janeiro, e vê ameaças à estrutura democrática do país.
“O que eles fizeram em relação à Venezuela, parece muito com as táticas que são usadas nas cidades [dos EUA]. Você tem um pretexto, que é a droga, e com isso você faz o que quiser. Na cidade, estão fazendo o mesmo. ‘É guerra, estou combatendo a droga'”, analisou.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
