risco de fuga

Prisão domiciliar para Bolsonaro ‘seria um perigo’, alerta advogado e cientista político

Para Jorge Rubem Folena, transferência para a Papudinha foi acertada

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os advogados de Bolsonaro afirmam que ele tem doenças permanentes, que demandam 'acompanhamento médico intenso'
Para pedir prisão domiciliar, os advogados de Bolsonaro afirmam que ele tem doenças permanentes, que demandam ‘acompanhamento médico intenso’ | Crédito: © Fernando Frazão/Agência Brasil

Após semanas de muita pressão, a família e os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) conseguiram fazer com que ele saísse da Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília, onde estava preso desde novembro. O objetivo, porém, não foi cumprido por completo. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a transferência para a chamada Papudinha, também na capital federal, e não para prisão domiciliar. Um acerto, na avaliação do advogado e cientista político Jorge Rubem Folena.

Para Folena, Bolsonaro deixou claro que cogitava fugir quando danificou a tornozeleira eletrônica, em novembro. Ao atacar o dispositivo com um ferro de solda, ele deixou, na impressão do advogado, “uma má impressão” perante a Justiça brasileira, e isso terá reflexos nas decisões tomadas a respeito da condenação a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

“Ele regressar para a casa dele seria um perigo. Poderia, a qualquer momento, fugir. Um condenado tem que cumprir a pena no estabelecimento prisional”, afirmou Folena em entrevista ao jornal Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, nesta sexta-feira (16).

Os familiares e aliados mais próximos alegam que o ex-presidente precisa de cuidados médicos dedicados por conta da idade avançada e de supostos problemas de saúde. Folena, porém, afirma que o discurso não condiz com o real cenário.

“Só quero lembrar que, em setembro do ano passado, quando prestou depoimentos no Supremo Tribunal Federal, ele convidou o ministro Alexandre de Moraes para ser vice na chapa dele, todo risonho, todo alegre. Agora, meses depois, se diz um homem doente, sem condições, muito fraco. Tudo mentira”, disse o advogado.

“Estão tentando criar um fato político para tentar impedir o cumprimento da pena de Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos de prisão. Ele é um condenado, não está preso provisoriamente”.

No novo endereço, Bolsonaro terá um espaço muito mais amplo que aquele que ocupava na Superintendência da PF, onde estava preso em uma sala de aproximadamente 12 m². Na Papudinha, o espaço tem mais de 60 m², com cômodos separados, área externa, água quente, televisão, cozinha, geladeira e banheiro privativo. O local poderia abrigar até quatro presos, mas Bolsonaro tem benefícios por ter sido presidente da República.

“Ele vai ter à disposição todo um conjunto de médicos, clínicos, psiquiatras, enfermeiros, fisioterapeutas. As condições em que ele foi transferido para a Papudinha são melhores do que as que ele estava na Polícia Federal, já que a família dele acha que ele não estava tendo tratamento digno”, afirmou Folena.

“Eles [familiares e aliados] insistem com a prisão domiciliar. O ministro [Moraes] mandou fazer uma perícia, para constatar se ele está doente ou não, mas não para ir para casa: se for o caso, ele vai para um hospital penitenciário, lugar para onde tem que ir todos aqueles criminosos condenados”.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Maria Teresa Cruz

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