Genocídio em Gaza

China confirma convite de Trump para integrar Conselho de Paz para Gaza

Brasil também foi convidado para integrar o grupo, mas Lula ainda não decidiu se aceitará o convite

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O presidente da China, Xi Jinping
O presidente da China, Xi Jinping | Crédito: Vincent Thian/POOL/AFP

O Ministério das Relações Exteriores da China confirmou que o país foi convidado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para compor o Conselho de Paz para Gaza. Em comunicado à imprensa, o porta-voz da pasta, Guo Jiakun, não informou se o convite será aceitou ou não por Pequim.

Questionado sobre as relações com o governo estadunidense durante o primeiro ano do atual mandato de Trump, o diplomata chinês disse que o período foi marcado por altos e baixo, mas “manteve dinâmica estável, no geral”.

“A cooperação entre China e Estados Unidos beneficia os dois lados, enquanto a confrontação prejudica ambos”, ressaltou. 

Conselho de Paz

O conselho integra o plano “20 pontos de Donald Trump para Gaza”, aprovado em novembro de 2025 pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), apresentado como uma tentativa de pôr fim ao genocídio promovido por Israel contra o povo palestino.

De acordo com a Casa Branca, o chamado “Conselho da Paz” terá como foco temas como o “fortalecimento da capacidade de governança, relações regionais, reconstrução, atração de investimentos, financiamento em larga escala e mobilização de capital”. Nenhum representante da população palestina foi convidado para integrar o grupo. 

O Brasil também foi convidado, mas até o momento não decidiu se aceitará o convite. Nesta segunda-feira (19), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para discutir o assunto. 

O governo analisa o conteúdo do documento e as consequências políticas e financeiras de uma eventual adesão, considerando pontos como os objetivos do conselho, a composição do grupo, o posicionamento dos países envolvidos em relação à guerra e possíveis custos decorrentes da iniciativa.

Para o pesquisador de relações internacionais Arturo Hartmann, o conselho representa um “dilema” para o presidente Lula (PT) em relação ao posicionamento com outros países.

“A postura dele, principalmente neste ano, nessas últimas semanas, com a Venezuela, com a Groenlândia, com o que pode acontecer no Irã… Que tipo de participação o Lula pode ter nisso? Você pode ser um boneco, ali, sem nenhuma efetividade. Acho arriscado e melhor não participar”, disse entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, nesta segunda-feira (19).

Trump convidou também outros países, como Canadá, Rússia, Argentina, Turquia, Egito e Paraguai. Na segunda-feira (19), o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que a Rússia estava estudando os detalhes do convite. “Nós esperamos entrar em contato com os EUA para esclarecer todos os aspectos do acordo”, disse.

Também nesta segunda, o presidente Trump respondeu à decisão de Emmanuel Macron, da França, de negar o convite para integrar o conselho. O republicano ameaçou o país europeu com uma tarifa de 200% sobre os vinhos e champagnes importados da França. “Ele vai entrar, mas ele não tem que entrar”, disse Trump.

Uma fonte próxima à Macron afirmou à BBC que utilizar as tarifas para influenciar a política estrangeira é “inaceitável e inefetivo”.

Editado por: Geisa Marques

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