E agora?

Convite de Trump para ‘Conselho de Paz’ de Gaza é ‘arriscado’ para Lula, diz pesquisador

Oferta foi feita no sábado (17); presidentes de todos perfis ideológicos foram convidados; Lula ainda não se manifestou

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Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Crédito: Ricardo Stuckert / PR

O pesquisador de relações internacionais Arturo Hartmann avalia que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem um “dilema” a resolver. Convidado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a integrar um chamado “Conselho de Paz” para Gaza junto a outros líderes internacionais de diversas matrizes ideológicas, Lula ainda não se manifestou se aceita ou não.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato nesta segunda-feira (19), Hartmann falou sobre a oferta feita por Trump ao petista, confirmada no último sábado, e destacou que é difícil definir um posicionamento.

“É um dilema, pela força que ele [Trump] demonstra ter. A postura dele, principalmente neste ano, nessas últimas semanas, com a Venezuela, com a Groenlândia, com o que pode acontecer no Irã… Que tipo de participação o Lula pode ter isso? Você pode ser um boneco, ali, sem nenhuma efetividade”, alertou o especialista. “Acho arriscado, e melhor não participar”.

Hartmann afirmou, ainda, que este momento, de escalada das ameaças e ações de Trump perante outros países, pode ser o momento ideal para a criação de uma possível frente de governantes e autoridades internacionais unidos em busca de oferecer um contraponto.

“O Trump é um projeto que você quer alimentar ou quer desmontar e destruir? A gente pode até especular que ele vai tentar se tornar ditador, querer sabotar as próximas eleições dos Estados Unidos. Você quer alimentar, mesmo que seja indiretamente?”, indagou.

O convite feito a Lula foi oferecido também a figuras como o presidente da Argentina, Javier Milei; o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer; o presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan; o presidente egípcio, Abdel Fattah El-Sisi; e o primeiro-ministro canadense, Mark Carney. Uma verdadeira salada ideológica.

“Esse Conselho tem outro objetivo. A gente vai ver quem aceita fazer parte, como vai ser executado, de fato, o dia a dia desse Conselho, que já está sendo chamado de ‘a ONU do Trump'”, relatou o especialista. “Ele pega países que considera estratégicos, o Brasil é um eles, e está tentando acertar vários alvos, vamos dizer assim”.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Luís Indriunas

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