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‘Me parece uma derrota do Trump’, diz professor de Segurança Internacional sobre a Groenlândia

Presidente dos EUA falou sobre um acordo que, na verdade, pode representar um recuo

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Presidente dos EUA Donald Trump participa de uma chamada com militares americanos de seu clube Mar-a-Lago, na Flórida, no Dia de Ação de Graças, em 27 de novembro de 2025, em Palm Beach, Flórida.
Presidente dos EUA Donald Trump participa de uma chamada com militares estadunidenses de seu clube Mar-a-Lago, na Flórida, em 2025 | Crédito: Pete Marovich/Getty Images/AFP

O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que teria chegado a um acordo com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) sobre a Groenlândia ainda é cercado de incertezas. Além de não haver detalhes sobre o que teria sido definido, a tal proposta foi negada pela Dinamarca.

Para o professor de Segurança Internacional Fernando Brancoli, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o caso pode terminar em recuo do presidente dos EUA nos planos de anexação do território. Entretanto, ele tentará passar ao mundo uma imagem contrária.

“Me parece uma derrota do Trump, mas ele vai tentar construir, ao longo dos próximos dias que não, [dizer] que foi ‘a arte do negócio’, que ele fez uma jogada e conseguiu o que queria”, resumiu. “Pode ser que ele perca um pouco de atenção neste tópico e semana que vem a gente esteja falando de outra coisa”.

Segundo o especialista, a insistência do presidente dos Estados Unidos em anexar o território dinamarquês “pegou muito mal” dentro de seu próprio país, inclusive entre integrantes de seu partido, o Republicano, e representantes do mercado financeiro.

O professor lembrou que, em fala da véspera, Trump se mostrou confuso. Por mais de uma vez, chamou a Groenlândia de ‘Islândia’ (nome de um país insular independente). A avaliação é de que a falta de apoio pode ter impactado.

“Me parece que ele ficou um pouco sem saída, e aí faz o que Trump normalmente gosta de fazer, que é declarar vitória independente dos resultados finais, dizendo que chegou a um acordo, e que partes da Groenlândia seriam doadas pelos Estados Unidos, o que, pelas informações que a gente tem, não é bem verdadeiro”, pontuou.

Os Estados Unidos, que já tiveram tropas na Groenlândia, pode voltar a enviar militares para lá, sem que isso implique em mudanças relevantes na situação política do território.

“Talvez pela primeira vez, a Europa reagiu de maneira bastante forte e ameçou Trump no que diz respeito à Groenlândia. Não só com o envio de tropas, o que é uma coisa inédita, mas também começou a circular a possibilidade de sanções econômicas”, afirmou.

Para ouvir e assistir

BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo. No YouTube do Brasil de Fato, o programa é veiculado às 19h.

Editado por: Maria Teresa Cruz

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