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Sugestões de Lula tentam trazer sensatez pra Conselho de Paz de Trump, avalia especialista em direito internacional

Paulo Borba Casella destaca, no entanto, que o presidente dos Estados Unidos não é reconhecido pela sensatez

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Lula e Trump, durante encontro em Kuala Lumpur, na Malásia, em 26 de outubro.
Lula e Trump, durante encontro em Kuala Lumpur, na Malásia, em 26 de outubro. | Crédito: Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda não respondeu se vai ou não participar do chamado ‘Conselho de Paz’ lançado por Donald Trump, mas aproveitou uma conversa telefônica nesta segunda-feira (26) para fazer sugestões ao presidente dos Estados Unidos. Lula propôs que o grupo tenha representação palestina e que tenha atuação limitada a Gaza. As propostas do presidente brasileiro são sensatas, na avaliação do professor de direito internacional público Paulo Borba Casella.

Casella, que é professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) participou da segunda edição do jornal Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, nesta segunda. Ele avalia que as sugestões de Lula deveriam ser levadas em conta, mas a imprevisibilidade de Trump torna tudo mais inviável.

“Ser sensato não é a qualidade que mais caracteriza o atual presidente dos Estados Unidos, mas que essas vozes razoáveis se manifestem dizendo ‘tem problemas nessa configuração que se apresenta’ é importante. Se essas vozes sensatas serão ouvidas, essa é outra história”, apontou.

Embora a Organização das Nações Unidas (ONU) tenha autorizado a criação do Conselho para focar apenas na situação de Gaza, Trump indica que pretende estender suas garras para outros conflitos internacionais. Além disso, ao elaborar o documento, o presidente dos Estados Unidos demonstra não ter ouvido os palestinos, o que justifica, na opinião do professor, a indicação de Lula de representação palestina no grupo.

“Eu estou de pleno acordo. Isso faz todo sentido. É criado para a situação de Gaza, mas nem menciona Gaza. É para solucionar a situação dos palestinos, que estão sendo massacrados, maltratados, mantidos com fome, sem energia, sem água, sem remédios, e não teriam sequer um assento nesse colegiado que vai decidir o futuro deles”, avaliou.

Apesar de valorizar as sugestões de Lula, Casella critica a estrutura criada por Trump para o Conselho de Paz. O presidente dos EUA propôs uma estrutura em que ele seria o único líder a ter poder de veto. O convite, assim, foi negado por países como França, Espanha e Alemanha.

“É sintomático que esse ‘clube do Trump’ sequer faz menção a Gaza. Estaria sendo criado para encaminhar uma possível solução para lá – uma solução à moda Trump. Sintomaticamente, várias democracias já se manifestaram: ‘não, muito obrigado'”, disse.

“Esse ‘clube do Trump’ já nasce torto e com viés pervertido e comprometido. Ter a presença do Primeiro-Ministro de Israel, [Benjamin] Netanyanu, já mostra que as coisas não podem funcionar bem. Ter várias ditaduras e regimes autoritários querendo organizar essa participação no clube, é igualmente preocupante”, resumiu.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Maria Teresa Cruz

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