Antes das eleições presidenciais de outubro, dois municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre terão que escolher seus novos prefeitos: Viamão e Cachoeirinha. Os titulares eleitos em 2024 foram cassados por variados tipos de irregularidades e estão agora sob o comando interino de duas mulheres.
Em Viamão, assumiu a enfermeira Michele Galvão (PSDB), a vereadora mais votada nas últimas eleições. Ela era presidente da Câmara e exerceu o cargo de Secretária Municipal de Saúde até abril de 2024. Michele tomou posse no dia 6 de janeiro. Um dia antes havia assumido como presidente da Câmara.
“Assumo este momento com muita responsabilidade e consciência dos desafios que Viamão enfrenta. Meu compromisso é garantir transparência, manter a continuidade dos serviços públicos essenciais e fortalecer o diálogo entre os poderes e a população”, afirmou Michele.
Garantiu também que vai reforçar o compromisso com a estabilidade institucional e a responsabilidade na gestão. A nova eleição municipal em Viamão será no dia 12 de abril. A cidade tem população de 208 mil habitantes e 149,2 mil eleitores.
Em Cachoeirinha, a vereadora Jussara Caçapava (Avante), assumiu o a Prefeitura interinamente até a realização de eleição suplementar para prefeito e vice-prefeito. Jussara assumiu dia 4 de janeiro e prometeu colocar a cidade nos eixos. O município está com obras paradas, com vários problemas administrativos e cheio de questões financeiras pendentes. Não há ainda uma data definida Tribunal Regional Eleitoral para uma nova eleição. A cidade tem 141 mil habitantes em 106 mil eleitores.
Viamão
O prefeito Rafael Bortoletti e o vice Maninho Fauri, os dois do PSDB, foram cassados por crime eleitoral no dia 4 de dezembro de 2025 pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Recursos não adiantaram nada. O TRE determinou que eles deixassem os cargos e que o município tenha nova eleição. A decisão foi tomada em 16 de dezembro de 2025.
No entendimento da maioria do TRE, Bortoletti e Fauri cometeram ilegalidade ao comparecerem ao evento de reabertura do Parque Saint’Hilaire, em setembro de 2024. A legislação impede a presença de candidatos a inaugurações de obras públicas nos meses anteriores às eleições.
Na decisão, os desembargadores determinaram que fossem adotadas “as providências para o imediato cumprimento do acórdão”. Com isso, assumiu o cargo de chefe do Executivo Municipal o presidente da Câmara de Vereadores Rodrigo Pox (Podemos). Ele ficou 21 dias no cargo e passou para Michele.
Cachoeirinha
O município ainda aguarda a definição formal do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RS), mas o roteiro institucional está traçado: a cidade terá nova eleição para escolher quem comandará o município até 31 de dezembro de 2028, após a cassação do prefeito Cristian Wasem (MDB) e do vice Delegado João Paulo Martins (PP), consumada em 2 de janeiro. Pela legislação, o TRE tem até 180 dias a partir da extinção dos mandatos para marcar o pleito. O prazo final, portanto, corre contra o relógio e empurra a decisão para o primeiro semestre.
Por 14 votos a 3, a Câmara cassou Cristian. Por 13 a 4, derrubou o vice. O plenário seguiu integralmente o relatório da Comissão Processante, que apontou irregularidades administrativas enquadradas no Decreto-Lei 201/1967 — pedaladas fiscais no instituto de previdência e contratação emergencial considerada irregular.
Não houve acusação direta de corrupção. Houve, sim, perda de base parlamentar. O MDB, partido do prefeito, simbolizou o colapso: quatro dos cinco vereadores votaram pela cassação. Cristian, reeleito com 72% dos votos, terminou sem os seis votos mínimos para sobreviver politicamente. O julgamento não era técnico. Era político. E ele perdeu.
TSE
A Portaria TSE nº 567/2025, publicada no Diário da Justiça Eletrônico, estabeleceu oito domingos possíveis para a realização de eleições suplementares ao longo de 2026: 11 de janeiro, 1º de fevereiro, 1º de março, 12 de abril, 17 de maio, 21 de junho, 8 de novembro e 6 de dezembro.
As votações ocorrerão das 8h às 17h, no horário local. Em Cachoeirinha, que tem menos de 200 mil eleitores, não há segundo turno.
Na prática, Cachoeirinha deverá se encaixar em uma dessas janelas — provavelmente entre março e junho — salvo se o TRE optar por uma interpretação mais elástica do prazo, conectando o pleito suplementar ao calendário das eleições gerais de outubro.
A eleição suplementar não inaugura um novo ciclo político. Segundo a Constituição Federal, o Código Eleitoral e a jurisprudência do TSE, a eleição suplementar serve apenas para preencher o período restante do mandato em curso. Quem vencer não começa um governo “do zero”, nem ganha quatro anos. Governa até o fim de 2028.
Cônjuges e parentes do prefeito cassado continuam inelegíveis no território do município. A cassação não rompe o vínculo jurídico com o mandato original. A Súmula nº 6 do TSE é cristalina: não há “atalho familiar” quando a vacância decorre de cassação.
A exceção — renúncia, morte ou afastamento definitivo seis meses antes do pleito — não se aplica neste caso.
