Cinema goiano

Filme sobre busca por tratamento com cannabis medicinal será exibido em festival na Argentina

Curta ‘Quanto Custa o Remédio do Meu Pai’ foi lançado nesta segunda (26) e está disponível gratuitamente

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Quanto Custa o Remédio do Meu Pai
Produção goiana busca romper o preconceito sobre o tratamento com cannabis medicinal | Crédito: Kadu Oliveira

Produzido por estudantes do primeiro período do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Estadual de Goiás (UEG), o curta-metragem documental Quanto Custa o Remédio do Meu Pai estreou nesta segunda-feira (26). Após sete meses percorrendo festivais pelo país, a história da família Suzin em meio ao tratamento com cannabis medicinal, passa a ser distribuído publicamente por meio do canal do Youtube da Santa Ganja.  

Em 2025, o filme venceu dois prêmios universitários, o Festival de Cinema Estudantil de Miranorte (Miracine) e o Festival Universitário do Audiovisual (FUÁ), além disso também venceu na categoria melhor-curta metragem com mais de cinco minutos do Festival Internacional de Cine Canábico do Rio de Janeiro (FICC). Em novembro, o material também foi exibido durante a Expo Cannabis Brasil, maior evento do tema na América Latina.

Entre os meses de fevereiro e março deste ano, o curta será exibido na sexta edição do FICC Buenos Aires, na Argentina. “Para nós é fundamental que nosso filme encontre telas tão comprometidas e abertas ao diálogo como desse festival, é uma alegria imensa cruzar fronteiras”, comemora Isabella Abreu, diretora do filme. 

O filme acompanha a história de Filipe Suzin e Ivo Suzin, pai e filho que encontraram na cannabis uma forma legítima de tratamento e qualidade de vida frente à leucemia e ao Alzheimer. A câmera se aproxima do cotidiano dessa família em Goiânia (GO) e constrói um retrato íntimo mediado pela presença de Solange Suzin, mãe e esposa, cuja voz atravessa o filme com a lucidez de quem escolheu o amor acima do conservadorismo.

Quanto Custa o Remédio do Meu Pai
Família encontra na cannabis medicinal uma forma de tratamento | Crédito: Kadu Oliveira

É a partir do fortalecimento das raízes da família, por meio do tratamento, que o documentário tece um debate maior: o direito de cultivar a própria medicina em um país que ainda criminaliza tratamentos para além das medicações convencionais, como os opióides.

O lançamento acontece em um momento de intensa polarização e redefinição legal. Marcado, principalmente, pelo embate entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional, que tenta avançar com projetos que atravessam as premissas da PEC das Drogas, engavetada até então. A proposta de emenda à constituição teve uma última movimentação significativa em 2024, no mesmo dia em que o STF concluiu o julgamento que descriminaliza o porte de 40 gramas de maconha para uso pessoal.

Estigma e o preconceito enraizado

De acordo com Milson Santos, produtor do curta, “hoje, para cultivar, uma família precisa gastar mais de cinco mil reais com advogado, se expor, reunir documentos por anos, e ainda pode ter o pedido negado. Não existe justiça quando só quem tem dinheiro consegue tratar”, analisa. A partir dessa reflexão, a proposta do material surge também com “o objetivo de falar fora da bolha, com qualidade e responsabilidade”, não sendo somente uma busca por alcance, mas sim de produção de informações e sentidos em meio a polarização histórica do debate.

Quanto Custa o Remédio do Meu Pai
Quanto Custa o Remédio do Meu Pai é uma produção de estudantes do curso de Cinema da Universidade Estadual de Goiás (UEG) | Crédito: Camilla Guimarães

A articulação ganha ainda mais peso por sua produção essencialmente do Cerrado goiano, fora do eixo Rio–São Paulo. Em um estado onde o tema ainda enfrenta forte resistência cultural, as pessoas idealizadoras afirmam o material como uma “produção crítica situada”. “Contar essa história, daqui, é fundamental. Goiás é um estado com grandes produções audiovisuais, podendo ser uma grande ponte, a partir dessa linguagem, para romper o estigma e o preconceito enraizado pela cultura conservadora do estado”, finalizam.

Produzido como obra sem fins lucrativos no contexto de atividades interdisciplinares da UEG, Quanto Custa o Remédio do Meu Pai articula cinema, educação e política pública. O material foi produzido em parceria com a organização Santa Ganja e Associação Curando Ivo. O curta já está disponível para acesso neste link.

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Editado por: Flavia Quirino

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