Eleições 2026

Disputa pelo Governo do Ceará já domina a imprensa e as redes sociais

Levantamento divulgado na semana passada reacende a polarização entre Elmano de Freitas e Ciro Gomes

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Os dados dizem respeito ao cenário estimulado, quando o entrevistador apresenta ao eleitor uma lista com os nomes dos candidatos.
Os dados dizem respeito ao cenário estimulado, quando o entrevistador apresenta ao eleitor uma lista com os nomes dos candidatos. | Crédito: TRE-MT

Embora as eleições para o Governo do Ceará estejam marcadas apenas para outubro de 2026, o cenário político estadual já vive um clima de pré-campanha. Movimentações partidárias, disputas narrativas nas redes sociais, intensificação da propaganda institucional e agendas públicas cada vez mais politizadas indicam que a corrida eleitoral está oficialmente em curso.

A direita ainda não fechou quem será seu representante. Mas a presença dos posicionamentos de Ciro Gomes (PSDB) nas redes sociais tem impulsionado o debate eleitoral no estado. Semana passada a divulgação da pesquisa do Instituto Paraná, no dia 22 de janeiro, apontou o ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes (PSDB) na liderança do cenário estimulado, com 44,8% das intenções de voto, seguido pelo atual governador Elmano de Freitas (PT), que aparece com 34,2%. Os dados, ainda preliminares e distantes do pleito, reforçam a leitura de que a disputa já se tornou uma pauta central no debate público estadual.

A pesquisa apresenta um cenário em que o eleitor é estimulado com uma lista de possíveis candidatos, metodologia comum neste momento pré-eleitoral. Apesar da vantagem de Ciro, o levantamento também traz indicadores relevantes sobre a avaliação do atual governo.

Segundo os dados, 14,2% dos entrevistados classificam a gestão de Elmano como ótima; 27,8% como boa; 25% como regular; 8% como ruim e 22,8% como péssima. Outros 2,3% não souberam ou preferiram não opinar. Já a aprovação pessoal do governador atinge 57,2%, enquanto a desaprovação soma 39%; 3,8% não responderam.

A pesquisa ouviu 1.502 pessoas em 68 municípios do Ceará, entre os dias 17 e 21 de janeiro.

Para o presidente do Partido dos Trabalhadores no Ceará, Antônio Carlos Conin, os números refletem um momento inicial da disputa e devem ser analisados com cautela. Ele destaca que “o governo promove entregas todos os dias. Confio no julgamento do povo cearense, acredito na reeleição do governador Elmano de Freitas no primeiro turno. O desempenho do Ciro é puro recall, ou seja, a lembrança que o eleitorado tem de um nome já conhecido que disputou várias eleições majoritárias, inclusive, para presidência da República. O Ciro terminará a disputa em último colocado, ele sempre perde, via de regra, para ele mesmo”.

A cientista política Paula Vieira, professora e pesquisadora do Laboratório de Estudos sobre Política, Eleições e Mídia da UFC (Lepem-UFC), reforça que a assimetria de exposição pública entre os nomes pesa na leitura da pesquisa. Segundo ela, Elmano “está na vida pública como governador do estado desde 2023, isso significa que desde 2023 ele está sendo visto, está sendo cotidianamente lembrado”, o que naturalmente o torna mais alvo de críticas. “O Ciro, não. O Ciro retomou essa vida pública eleitoral como um potencial competidor do ano passado para cá”.

Vieira lembra que Ciro esteve afastado das grandes disputas e do debate público após o resultado eleitoral de 2022. “Então na hora que ele reaparece, ele aparece com força sendo lembrado porque aqui no Ceará ele já tinha tido um bom resultado eleitoral, com exceção de 2022, que ele perdeu, inclusive no Ceará”. Ainda assim, ela pondera que Ciro Gomes não oficializou uma pré-candidatura. “A gente ainda não tem a certeza porque as pré-candidaturas não estão estabelecidas. A única que está dita é a reeleição do Elmano”.

Especulações sobre Camilo Santana

Mesmo com a reeleição de Elmano de Freitas tratada como certa dentro do PT, especulações envolvendo o nome do senador Camilo Santana surgiram em alguns veículos de comunicação, sugerindo uma possível candidatura ao Executivo estadual. Conin rebate a hipótese e é categórico: “Elmano será nosso candidato, não temos plano B. Camilo tem mandato de Senador até 2030. Neste ano de 2026 contribuirá muito cumprindo importante papel nas campanhas de Lula e Elmano. O mais é especulação pura, sem fundamento”.

Para Conin, a saída de Camilo do Ministério da Educação representa um reforço político para o partido. “Vamos organizar uma forte agenda de Camilo no estado na pré-campanha, liberando mais o governador para continuar imprimindo um ritmo cada mais acelerado nas entregas do seu governo, até a campanha propriamente dita. Na campanha mais uma vez teremos o time Lula, Camilo e Elmano em campo. Esse time vem fazendo muito pelo Ceará e o povo cearense saberá reconhecer, nos dando mais uma grande vitória”.

O papel dos Ferreira Gomes

Outro ponto ainda indefinido no tabuleiro eleitoral é a posição da família Ferreira Gomes. Até agora o senador Cid Gomes tem mantido a aliança com o partido dos trabalhadores contra seu irmão. Entretanto, segundo Paula Vieira, “é uma grande incógnita como os Ferreira Gomes vão ficar nessa situação. Eles têm falado que não irão contra o Ciro, não vão falar contra o Ciro, pela questão da lealdade familiar, mas, ao mesmo tempo, tem deixado pontuado que eles estão ainda na base, nas alianças, no arco de alianças do governo Elmano de Freitas”.

Para a pesquisadora, trata-se de um processo em aberto. “É um processo um pouco longo que a gente ainda tem muita coisa para descobrir”, avalia.

Ciro, centro político e direita

Vieira também analisa o posicionamento ideológico de Ciro Gomes no atual cenário. Ela ressalta que o centro político é historicamente volátil e decisivo nas eleições brasileiras. “É o centro que se desloca. Nesse sentido, o centro é o berço de onde puxar voto, de onde ir buscar voto, e isso para todos os candidatos”.

Segundo a pesquisadora, esse centro hoje está mais inclinado à direita. “Já tem pesquisa, já tem analistas que apresentam como que o brasileiro tem voltado mais à direita, então esse centro está um pouco mais deslocado à direita”.

Nesse contexto, Vieira afirma que Ciro ocupa hoje uma posição mais próxima da direita tradicional. “Nesse momento ele se encontra à direita, pelas próprias alianças que vem fazendo e isso o favorece”, avalia, destacando que essa movimentação amplia seu alcance eleitoral.

Ainda assim, ela faz uma distinção clara entre direita e extrema-direita. “A candidatura de Ciro Gomes pode ser afirmada como uma candidatura de direita, mas não da extrema-direita”, explica. Segundo Vieira, Ciro evita associação com o bolsonarismo. “Pelo contrário, a própria Michelle Bolsonaro já o colocou de lado. André Fernandes já não está falando mais tanto do Ciro para não movimentar, não enfraquecer o movimento bolsonarista que o Ciro evita se vincular”.

Para a pesquisadora, a estratégia é deliberada. “Ele não tem se vinculado, não tem falado publicamente a favor do movimento bolsonarista, inclusive porque não é estrategicamente positivo, já que tem uma imagem desgastada por conta das prisões, por conta da repercussão do Eduardo Bolsonaro e todos esses desgastes de imagem do bolsonarismo nos últimos tempos”.

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Editado por: Camila Garcia

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