Tensão

Na Turquia, chanceler do Irã abre espaço para retomar negociações nucleares com os EUA

Integrante da Otan, Turquia espera mediar conflito entre as nações

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Os ministros das Relaçõe Exteriores de Irã, Abbas Araqchi (esquerda)) e da Turquia, Hakan Fidan
Os ministros das Relaçõe Exteriores de Irã, Abbas Araqchi (esquerda)) e da Turquia, Hakan Fidan | Crédito: Fulya OZERKAN / AFP

O Irã está disposto a retomar as negociações sobre seu programa nuclear com os Estados Unidos caso ocorram “em pé de igualdade”, indicou o seu ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, nesta sexta-feira (30) na Turquia.

O chanceler iraniano se reuniu com o seu contraparte turco, Hakan Fidan, que busca evitar um eventual ataque dos Estados Unidos ao vizinho Irã, o que poderia desestabilizar a região.

Esta é a primeira visita ao exterior de Araghchi desde que uma onda de protestos eclodiu no Irã entre dezembro e janeiro, reprimida pelo governo. A viagem ocorre em um contexto de máxima tensão para o governo iraniano, dado o envio de navios de guerra americanos ao Oriente Médio e a decisão da União Europeia de incluir a Guarda Revolucionária, seu exército de elite, na lista de organizações terroristas.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que “espera não ter que utilizar” a força naval contra Teerã, e o Irã advertiu que atacaria “instantaneamente” os porta-aviões e as bases americanas na região em caso de ataque.

“Se as negociações forem justas e [ocorrerem] em pé de igualdade, a República Islâmica do Irã está disposta a participar”, declarou Araghchi nesta sexta-feira em Istambul.

O chanceler insistiu que Teerã “nunca buscou obter armas nucleares”, mas ressaltou que as capacidades de defesa e os mísseis iranianos “nunca serão objeto de negociação”.

“A segurança do povo iraniano não diz respeito a mais ninguém”, assinalou, detalhando que, por ora, “não há nenhum encontro programado” com os americanos.

Hakan Fidan considerou, por sua vez, que a retomada deste diálogo nuclear é “vital para apaziguar as tensões regionais” e indicou que as conversas “também abrirão caminho para um levantamento das sanções impostas ao Irã”.

Mediação da Turquia

A Turquia, membro da Otan que mantém relações sólidas com o Irã, deseja evitar uma escalada militar às portas de seu território, o que poderia desencadear também um novo fluxo de migrantes ao longo dos 550 km de fronteira que compartilha com a República Islâmica.

Neste sentido, o ministro turco das Relações Exteriores afirmou que o governo estadunidense deve resistir à pressão de Israel, seu aliado, para que ataque o Irã.

“Constatamos que Israel tenta convencer os Estados Unidos a lançar um ataque militar contra o Irã (…) Esperamos que a administração americana demonstre bom senso”, declarou Fidan.

Prontos

O exército iraniano está em “estado de alerta máximo”, preparando-se para a possibilidade de um ataque iminente dos EUA, apesar dos esforços diplomáticos concertados para evitar um conflito, disse o analista Abas Aslani à Al Jazeera.

Falando de Teerã, Aslani afirmou que as lembranças de junho do ano passado ainda estavam frescas, quando, em meio às negociações em curso entre EUA e Irã, Israel lançou ataques contra o Irã, aos quais os EUA posteriormente se juntaram com ataques a instalações nucleares iranianas.

“Temos ouvido de fontes iranianas que o setor militar está em estado de alerta máximo”, disse Aslani, pesquisador sênior do Centro de Estudos Estratégicos do Oriente Médio. “Eles estão prontos para uma nova guerra.” Ao mesmo tempo, disse ele, o governo iraniano quer “garantir que esteja pronto para se engajar em um processo diplomático a fim de evitar um novo conflito”.

Editado por: Nathallia Fonseca

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