A passagem de Rafah, entre a Faixa de Gaza e o Egito, foi reaberta neste domingo (1°), mas a circulação de civis pelo posto controlado pelo Exército israelense deve começar nesta segunda-feira (2). Localizada na fronteira sul de Gaza com o Egito, Rafah é a única passagem de entrada e saída do território que não atravessa Israel.
As informações, divulgadas pela agência internacional AFP, são do Cogat, órgão do Ministério da Defesa israelense responsável pela coordenação dos assuntos civis palestinos.
Rafah é um ponto de entrada para o fornecimento de suprimentos ao território palestino, onde as condições humanitárias permanecem precárias após dois anos de genocídio. A passagem foi fechada por Israel em maio de 2024, com uma breve reabertura no início de 2025.
De acordo com o governo israelense, a medida cumpre o acordo de cessar-fogo firmado com o grupo palestino Hamas, em vigor desde outubro do ano passado, e integra o plano de paz apresentado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Um funcionário do Ministério da Saúde de Gaza disse que cerca de 200 pacientes aguardam permissão para deixar o território assim que a passagem for aberta. Imagens divulgadas pela AFP mostram uma fila de ambulâncias aguardando pelo lado egípcio.
O Cogat aponta que esta é “uma fase piloto inicial”, coordenada com a União Europeia. Segundo o órgão, estão sendo realizados os “preparativos preliminares com o objetivo de aumentar a prontidão para o pleno funcionamento da travessia”.
Lado egípcio
O Cairo News, agência de notícias estatal do Egito, informou que o lado egípcio da fronteira permaneceria aberto “24 horas por dia” e que os hospitais do país estão preparados para receber pacientes vindos de Gaza.
Líderes do Egito e da Jordânia reafirmaram a rejeição a qualquer tentativa de expulsar os palestinos da Faixa de Gaza. Durante uma reunião no Cairo, o presidente egípcio Abdel Fattah al-Sisi e o rei Abdullah II da Jordânia “renovaram a firme posição do Egito e da Jordânia de rejeitar qualquer tentativa de expulsar o povo palestino de suas terras”, segundo um comunicado da presidência egípcia.
Eles também pediram “acesso irrestrito da ajuda humanitária à Faixa de Gaza”.
Violência
A reabertura parcial da passagem de Rafah foi precedida por ataques aéreos israelenses em Gaza nesse sábado (31), segundo informações do Ministério da Saúde do território palestino. Cerca de 31 pessoas, sendo que ao menos seis crianças, morreram.
Israel “continua violando gravemente o acordo de cessar-fogo, com as restrições de material médico, remédios e equipamentos”, disse o Munir al Barsh, diretor-geral do ministério.
Um frágil cessar-fogo está em vigor desde 10 de outubro por pressão dos Estados Unidos. Em janeiro, a trégua entrou na segunda fase, que prevê o desarmamento do Hamas, a saída das forças israelenses de mais áreas da Faixa de Gaza e a presença de uma força internacional de estabilização.
*Com informações da AFP
