ameaça global

Com fim de tratado nuclear, Trump projeta ‘criar o caos’, diz especialista em segurança internacional

O fim do acordo torna possível uma guerra nuclear, embora o cenário seja improvável

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Mísseis nucleares dos Estados Unidos
Mísseis nucleares dos Estados Unidos | Crédito: KIRILL KUDRYAVTSEV / VARIOUS SOURCES / AFP

Nesta quinta-feira (5), chegou ao fim a vigência do tratado que regulamenta os arsenais nucleares da Rússia e dos Estados Unidos. O presidente dos EUA, Donald Trump, não respondeu a uma proposta feita pelo russo Vladimir Putin, de prolongar os termos do acordo por um ano. E, assim, avança em seu projeto particular de poder, na avaliação de Héctor Saint-Pierre professor de Segurança Internacional do Programa em pós-graduação da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), Universidade de Campinas (Unicamp) e Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Em entrevista ao jornal Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Saint-Pierre explica que o fim da vigência do acordo permite, tecnicamente, que haja uma guerra nuclear, embora este não seja um cenário imaginável neste momento, até mesmo pela boa relação que Trump e Putin fazem questão de demonstrar. O presidente estadunidense, porém, capitaliza com a medida.

“É parte de um projeto de criar um caos no mundo onde ele [Trump] possa lucrar a partir disso. Embora seja possível, é improvável uma guerra nuclear a esta altura do campeonato”, resumiu.

O Kremlin lamentou a decisão de Trump de não responder à proposta de prorrogação do tratado, conhecido como Novo Start, e que limita a quantidade de ogivas nucleares implantadas por cada país. O estadunidense, por sua vez, bateu o pé e disse que qualquer novo tratado na área deveria incluir a China.

“A exigência de ingresso da China talvez seja um capítulo para estender as negociações”, avalia Saint-Pierre. “É possível que venha a sair um novo tratado, atualizado. Hoje existe um novo modelo de mísseis. Essa modernização pode vir. Minha impressão é que para Trump é melhor manter as coisas assim, nebulosas, que é como ele costuma negociar os pontos de seu interesse.”

Se Trump mantiver as exigências, as discussões podem se estender por muito tempo. Na atual conjuntura, segundo o especialista, Pequim não tem qualquer interesse em se juntar aos EUA e à Rússia em um acordo do tipo, dado que estaria em situação de inferioridade nuclear em comparação com as outras duas potências.

“A China, com as ogivas nucleares que tem, consegue lidar com suas ambições estratégicas momentâneas. Neste momento, o que interessa a Pequim é controlar o Mar da China, a região de Taiwan. Para isso, ela tem força suficiente, para dissuadir qualquer ameaça. A China não tem interesse de aumentar sua capacidade nuclear”, avaliou.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Maria Teresa Cruz

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