PELA CIDADE BAIXA

Livraria Bamboletras ressurge com Clube de Leitura, Clube de Cinema, pequenos shows e muitos livros

Milton Ribeiro se reinventa com criatividade, supera pandemia, saída do Olaria e enchente

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Milton Ribeiro, 68 anos, jornalista, é um homem dos livros, de todos os tipos e gêneros e gosta de conversar com os consumidores que vão até o seu espaço
Milton Ribeiro, 68 anos, jornalista, é um homem dos livros, de todos os tipos e gêneros e gosta de conversar com os consumidores que vão até o seu espaço | Crédito: Rafa Dotti

“Quero gente dentro da livraria. Não quero ser livreiro de WhattsApp.” Milton Ribeiro, 68 anos, jornalista, é um homem dos livros, de todos os tipos e gêneros e gosta de conversar com os consumidores que vão até o seu espaço. Dá para dizer que era mais feliz – não que seja infeliz, hoje – quando a sua livraria, a Bamboletras, estava localizada no Centro Comercial Nova Olaria na rua Lima e Silva, na Cidade Baixa, um local com lojas, cinemas, cafés, espaço gourmet, e que atraía gente de toda a cidade. Gente que gostava de uma área diferenciada, com astral ótimo e de boa convivência.

Milton conta que os últimos anos pares têm sido uma prova para sua inventividade e criatividade: pandemia, troca de endereço e enchente | Crédito: Rafa Dotti

Ali estava a livraria do Milton, sempre com todas as boas novidades para qualquer tipo de gosto. Funcionárias que entendiam do ramo e, permanentemente, muita gente, muitos compradores. Era um grande sucesso em todos os meios cultos de Porto Alegre. “Vai lá na Bamboletras, lá vais achar o que procuras”, diziam nos meios jornalísticos, universidades e bares da intelectualidade. A moda de comprar em sites e aplicativos não estava tão em evidência e tão em moda como acontece atualmente.

A Bamboletras foi criada em 1995 na rua da República pela jornalista Lu Vilela como um espaço de livros infantis e em 1996 já estava no Olaria, com uma diversidade maior | Crédito: Rafa Dotti

Eram outros tempos, nem tão distantes assim. Milton é dono da livraria desde março de 2018 e ficou no Olaria até 2022, quando uma incorporadora botou o local abaixo para construir um espigão com promessas futuras de reconstruir a área para ele.

A Bamboletras foi criada em 1995 na rua da República pela jornalista Lu Vilela como um espaço de livros infantis e em 1996 já estava no Olaria, com uma diversidade maior. O nome é uma conjunção das palavras bambolê – um arco circular, de plástico ou metal, utilizado como brinquedo ou equipamento de ginástica que gira em torno da cintura, membros ou pescoço – e de letras, formando o nome da livraria.

A livraria fica na Venâncio Aires, 113, espaço pertencente à Igreja Luterana Nova Apostólica, desativada de atividades religiosas | Crédito: Rafa Dotti

De 2018, quando comprou a livraria, Milton ficou até 2022 no Olaria. A partir dali – “fui expulso por uma construtora” – passou a atuar na Venâncio Aires, 113, espaço pertencente à Igreja Luterana Nova Apostólica, desativada de atividades religiosas. “Pago aluguel para eles agora”, diz. Pode voltar ao novo Olaria de novo?  “A negociação é difícil. Eles só me ofereceram 20 metros quadrados. Não dá, é muito pouco. Mas as conversas continuam. Preciso, no mínimo, de 100m quadrados, mas aí o aluguel pode me matar”, afirma, brincando.

Tempo para criar

A propósito das andanças, Milton conta que os últimos anos pares têm sido uma prova para sua inventividade e criatividade. Em 2020, enfrentou a pandemia e o fechamento das lojas comerciais (“perdi 50% das vendas, foi na base do telefone e do whatts”), em 2022 teve que trocar de endereço, em 2024 foi atingido pela enchente sem invasão das águas no seu estabelecimento, “mas o pessoal não vinha mais, estava envolvido com os seus problemas e não tinha como chegar aqui”, recorda.

“Atualmente, 60% dos meus clientes não aparecem por aqui, os pedidos vêm quase tudo por aplicativos, mas prefiro sempre a convivência e as conversas com eles”, conta Milton Ribeiro | Crédito: Rafa Dotti

Hoje, a Bamboletras não tem funcionários. “Sou eu e a companhia do meu gato Max, que sempre está por aqui. Talvez vá precisar de funcionários mais adiante. Atualmente, 60% dos meus clientes não aparecem por aqui, os pedidos vêm quase tudo por aplicativos, mas prefiro sempre a convivência e as conversas com eles.”

“Hoje, a Bamboletras não tem funcionários. Sou eu e a companhia do meu gato Max, que sempre está por aqui” | Crédito: Rafa Dotti

Para aumentar estas parcerias com as pessoas, Milton criou no seu novo espaço um Clube de Leitura e um Clube de Cinema, além de promover alguns shows eventuais. As sessões de filmes são realizadas de 15 em 15 dias, às segundas-feiras, e reúnem em torno de 20 pessoas. Não há cobrança de ingressos, “mas quem pode compra um livro”, diz. Normalmente, são filmes clássicos do cinema, Morte em Veneza, de Luchino Visconti; Zabriskie Point, de Michelangelo Antonioni, Spoorloos, de George Sluizer. A próxima sessão será com o filme Inverno de Sangue em Veneza, de Nicolas Roeg, com os premiados atores Donald Sutherland e Julie Christie.

A próxima sessão do Clube de Cinema será com o filme Inverno de Sangue em Veneza, de Nicolas Roeg | Crédito: Rafa Dotti

O jornalista afirma também que promove alguns eventos, lançamentos, sessões de autógrafos, “mas o meu negócio é vender livros de todos os tipos – infantis, poesias, literatura estrangeira e brasileira, políticos, esportes, turismo, psicologia, sociologia, gastronomia e assim por diante”. As leituras, filmes e shows são para atrair as pessoas que gostam de ler e de cultura e para conversar. Há também prateleiras com suvenires, como ecobolsas de nomes expressivos, como Frida Kahlo e outros.

A Bamboletra também tem prateleiras com suvenires, como ecobolsas de nomes expressivos, como Frida Kahlo | Crédito: Rafa Dotti

Milton tem dois filhos, Bernardo e Bárbara. Está casado agora com a violinista Elena Romanov, natural de Minsk, Bielorrússia. Ela veio para o Brasil para trabalhar em Manaus, mas desistiu pelo clima – excesso de calor. Em 2004 fez concurso público para integrar a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa), passou e lá está até hoje. O casal mora no andar superior da livraria.

Milton criou no seu novo espaço um Clube de Leitura e um Clube de Cinema, além de promover alguns shows eventuais | Crédito: Rafa Dotti

Serviço

Endereço: Venâncio Aires, 113, Cidade Baixa.

Horário: 10h às 19h

E-mail: [email protected]

Telefones: (51) 99255-6885 – (51) 3221-8764

Observação: O nome da livraria pode ser Bambo Letras, como está no site, ou Bamboletras, como é normalmente conhecida.

Editado por: Katia Marko

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