Movimentos Populares, centrais sindicais e partidos políticos publicaram uma declaração pedindo solidariedade do governo brasileiro e da comunidade internacional à Cuba em um momento de ameaças e ataques estadunidenses. O texto também cobra que os governos façam uma “ampla rede de apoio” à ilha.
O documento é assinado pela Frente Brasil Popular, Povo Sem Medo, e pela Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (Alba Movimentos). O grupo reforça a necessidade de que os outros governos se somem em um esforço para ajudar Cuba, assim como foi feito pelo governo mexicano.
“Convocamos o povo brasileiro e, de forma especial, o governo do Brasil a se somarem a um esforço coletivo de apoio urgente à Cuba. Fazemos um chamado especial ao governo para que o presidente Lula, reconhecido por sua liderança na luta contra a fome, pela paz e pela cooperação entre os povos, assuma um papel ativo nessa iniciativa, somando-se ao exemplo do governo mexicano, liderado por Cláudia Sheinbaum, para o envio urgente de petróleo e outras fontes energéticas para Cuba”, diz o texto.
O comunicado vem na esteira da ordem executiva assinada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, declarando Cuba como uma “emergência nacional”, argumentando que a ilha representaria uma suposta “ameaça incomum e extraordinária” à segurança dos Estados Unidos.
A medida impõe novas tarifas a países que “vendam ou, de qualquer outra forma, forneçam petróleo a Cuba”, com o objetivo de aprofundar o estrangulamento energético enfrentado pela ilha, agravado de forma significativa após o ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela.
Os grupos, inclusive, reforçam que os ataques dos EUA à outros países como a Venezuela mostram o caráter intervencionista da Casa Branca e o que o governo estadunidense é capaz de fazer com a ilha.
Judite Santos é coordenadora nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Cuba e afirma que essa articulação é de “extrema urgência”, já que os brasileiros sempre foram solidários à ilha, mas hoje a situação é muito grave no país.
“Cuba está vivendo um momento muito difícil de tensões e preocupações devido ao recrudescimento do bloqueio que coloca em risco o país. Vimos pela declaração do presidente cubano, na semana passada, e também estamos acompanhando as medidas drásticas que estão sendo tomadas devido à escassez, tanto de combustíveis como também de alimentos e medicamentos”, disse ao Brasil de Fato.
Ela se refere às declarações do presidente cubano, Miguel Díaz-Canel. Em pronunciamento, o mandatário reforçou que o país é alvo de agressões e disse que qualquer diálogo com os EUA devem ser feitos em “pé de igualdade”.
“Agora, quem está constantemente falando sobre agressão e, sobretudo, quem tem levantado uma retórica insultuosa sobre uma possível agressão contra Cuba, é o governo dos EUA neste momento”, disse.
Judite relata que, com o aumento dos ataques, as escolas e universidades tiveram suas aulas presenciais interrompidas e não há serviço de transporte devido a falta de energia e combustíveis.
“Os EUA têm escalado as ameaças todos os dias, então não está descartada uma ação militar contra Cuba, embora o governo cubano tenha dito reiteradas vezes que está aberto ao diálogo com os EUA. Precisamos estar atentos para o que pode suceder neste momento grave de escalada das agressões imperialistas. Então, todos os setores brasileiros que sempre foram solidários a Cuba precisam unificar os esforços para pressionar o governo brasileiro para que fure o bloqueio e envie insumos ao povo cubano. É uma questão humanitária”, concluiu.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem defendido Cuba nos discursos, mas não tomou nenhuma decisão enquanto governo para apoiar a ilha. No último sábado (7), o mandatário afirmou que o PT “tem que encontrar um jeito de ajudar” Cuba.
“O nosso país é soberano. Queremos trabalhar com todo mundo, mas não queremos voltar a ser colonizados. O nosso país é solidário ao povo cubano que é vítima de um massacre de especulação dos EUA contra eles. Temos que encontrar, enquanto partido, um jeito de ajudar”, declarou Lula.
