Descrito pelo jornal indiano India Today como um dos ‘mais duros críticos’ do presidente estadunidense, Donald Trump, o mandatário brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, disse à publicação que “octagenários não precisam brigar”. A declaração foi feita durante visita do brasileiro ao país nesta sexta-feira (20) e antes do encontro entre os dois líderes, previsto para março.
“Dois octogenários não precisam brigar. Temos que dar o exemplo em todos os níveis”, disse Lula. “Deixo claro que não quero guerra”, acrescentou, enfatizando que acredita nos ensinamentos de não-violência do herói da independência colonial indiana, Mahatma Gandhi.
Lula tem 80 anos, enquanto Trump completará também 80 em 14 de junho deste ano. A entrevista foi feita antes da decisão da Justiça dos EUA de derrubar boa parte do tarifaço imposto por Trump a diversos países. A sobretaxa às exportações brasileiras ao país foi fixada em 50% e será tema da agenda do encontro entre os dois líderes previsto para ocorrer em solo estadunidense no próximo mês.
“Estou disposto a negociar com Trump. Mas não negociarei nem discutirei a soberania do Brasil”, disse Lula. Além das tarifas, o presidente afirmou que também gostaria de negociar com Trump questões relacionadas ao crime organizado, ao narcotráfico e aos minerais de terras raras.
“Vou registrar tudo por escrito, tudo o que eu discutir com Trump”, disse ele, sobre a futura conversa. Lula então descreveu Trump à imprensa indiana.
“Em público, ele é teatral… como um programa de TV. No entanto, em particular, ele é muito mais calmo e demonstra tranquilidade”, disse Lula, que relembrou seu bom relacionamento com outros presidentes estadunidenses.
“Me dei muito bem com Bush, Obama e Biden. A relação entre os EUA e o Brasil tem mais de 200 anos”, destacou.
A relação entre os dois presidentes iniciou com sinais negativos quando o estadunidense tentou chantagear o Judiciário brasileiro em meados do ano passado, ao condicionar as tarifas extras ao perdão a Jair Bolsonaro. A medida não deu certo, o ex-presidente foi condenado a 27 anos por tentativa de Golpe de Estado e Trump elogiou publicamente Lula em setembro, durante encontro na Organização das Nações Unidas (ONU).
O comportamento não submisso de Lula e a independência do nosso Judiciário foram elogiados ao redor do mundo, como exemplo de como lidar com o magnata dos EUA. Ao encerrar a entrevista na Índia, Lula disse que “também gosto de ser respeitado”.
No país, Lula participou de conferência sobre Inteligência Artificial e tem encontro bilateral com o primeiro-ministro Narendra Modi
