Comércio bilateral

Governos do Brasil e Índia estabelecem parceria para exploração de minérios e expansão comercial

Países assinam oito atos bilaterais em Nova Délhi para ampliar o fornecimento de terras raras

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Lula pousa para a foto ao lado do primeiro ministro Narendra Modi
Parceria entre Brasil e Índia pode diminuir a dependência do dólar e descentralizar a exploração de terras raras | Crédito: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi assinaram neste sábado (21), em Nova Délhi, um “memorando de entendimento” voltado à exploração de minerais críticos e componentes de terras raras fundamentais para tecnologias como veículos elétricos, painéis solares, smartphones, motores de jatos e mísseis guiados.

O Brasil detém a segunda maior reserva mundial desses recursos, que compõem a produção de baterias para veículos elétricos, painéis solares, semicondutores e equipamentos de defesa. O governo indiano busca, com este ato, diversificar seus fornecedores e reduzir a dependência de insumos oriundos da China.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o documento formalizado estabelece o avanço da relação estratégica entre as duas nações. Segundo o mandatário, o entendimento amplia a atuação conjunta voltada ao setor de energias renováveis e aos processos de transição energética.

“Ampliar os investimentos e a cooperação em matéria de energias renováveis e minerais críticos está no cerne do acordo pioneiro que assinamos hoje”, afirmou Lula. “No marco da Aliança Global para Biocombustíveis, nossos países estão assegurando o devido espaço para essa tecnologia na agenda climática e energética global”, declarou.

Para Modi, a parceria “é um passo importante para construir cadeias de suprimentos resilientes”.

O pacto integra um conjunto de oito acordos bilaterais firmados durante a visita oficial, que abrangem também as áreas de cooperação digital, saúde e acesso a medicamentos. De acordo com o primeiro-ministro, a medida constitui um passo para o estabelecimento de cadeias de suprimentos resilientes, enquanto o presidente Lula afirmou que a ampliação do investimento em energias renováveis e em minérios essenciais ocupa a posição central do documento assinado.

Os dois líderes trataram da expansão das trocas comerciais, que somaram US$ 15 bilhões em 2025, o que representa um aumento de 25% em comparação ao ano anterior. Diante desse crescimento, Lula propôs a revisão da meta de intercâmbio comercial de US$ 20 bilhões para US$ 30 bilhões nos próximos anos, sob o argumento de que a parceria entre os dois países do Sul Global serve como uma resposta ao unilateralismo comercial. 

O primeiro-ministro indiano declarou que o Brasil permanece como o principal parceiro comercial da Índia na América Latina e que o comércio bilateral simboliza a confiança mútua entre os países.

A agenda do presidente brasileiro incluiu ainda discussões sobre o uso de moedas locais em transações comerciais para evitar a dependência do dólar e a defesa de uma reforma na governança global. 

Lula destacou que o encontro reúne dois países com capacidade de atuação conjunta nos setores farmacêutico e agroalimentar. 

Após o encerramento dos compromissos na Índia, a comitiva brasileira segue para a Coreia do Sul para reuniões sobre cooperação industrial e fóruns empresariais.

Editado por: Camila Salmazio

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