ENTREVISTA

‘Se houver guerra, Israel será alvo legítimo e EUA e aliados pagarão o custo’, diz analista iraniana sobre escalada na região

Sobrevivente de ataque israelense, jornalista iraniana analisa escalada militar dos EUA, sanções e negociações nucleares

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Jornalista iraniana e especialista em política externa Elham Abedini participa de programa de TV
A jornalista iraniana Elham Abedini é apresentadora, especialista em política externa, e possui um doutorado em Estudos Britânicos pela Universidade de Teerã | Crédito: Arquivo pessoal

“Se houver guerra, Israel será alvo legítimo e os Estados Unidos e seus aliados pagarão o custo”, disse a analista geopolítica e jornalista iraniana Elham Abedini, em entrevista ao Brasil de Fato, sobre a escalada militar dos EUA no Oriente Médio e às ameaças diretas do presidente Donald Trump contra o Irã.

No discurso anual no Congresso de terça-feira (24), Trump, responsável pela invasão à Venezuela e sequestro do presidente Nicolás Maduro, disse que sua “preferência é resolver esse problema por meio da diplomacia”, e chamou o Irã de “o maior patrocinador do terror do mundo”.

Elham citou a mensagem publicada pelo presidente dos EUA em janeiro, durante as ações nas ruas de várias cidades iranianas. Trump pediu para que iranianos continuassem protestando, porque a “ajuda estava a caminho”.

“Onde está essa ajuda? São esses aviões e todo o armamento que estão trazendo para a região. Nós temos que acreditar que isso é para ajudar o nosso povo?”, questionou a analista.

Os Estados Unidos realizam a maior mobilização militar na região desde a invasão do Iraque em 2003. O porta-aviões USS Abraham Lincoln já está no Mar Arábico; o USS Gerald R. Ford avança pelo Mediterrâneo Oriental rumo às costas da Palestina. Dezenas de aeronaves de combate, incluindo caças furtivos, foram posicionadas em bases regionais.

Para Elham Abedini, no entanto, a ameaça não intimida o Irã. “Reconhecemos Israel como a maior base militar para os Estados Unidos. Mesmo que os EUA digam que a guerra é só com eles, consideraremos Israel como alvo legítimo, e também todas as suas bases e interesses na região. Esta não é uma guerra em que o Irã seria o perdedor. Os EUA, o regime israelense e todos os seus aliados teriam que pagar o custo”, afirma.

Elham Abedini conhece de perto as consequências da escalada militar na região. Em 16 de junho de 2025, ela estava na sede da IRIB, a emissora estatal do Irã, em Teerã, quando quatro mísseis israelenses atingiram o prédio. Três pessoas foram assassinadas. Várias ficaram feridas. Elham poderia ter sido uma das vítimas: ela havia encerrado um programa ao vivo apenas dois minutos antes do ataque.

Elham é colega de Sahar Emami, a apresentadora que ficou conhecida por continuar apresentando o jornal durante o atentado. Quando os primeiros mísseis atingiram o edifício da emissora estatal, Emami estava no ar e permaneceu transmitindo mesmo com o estúdio tremendo.

Em julho de 2025, o presidente venezuelano Nicolás Maduro concedeu pessoalmente a Sahar Emami o Prêmio Nacional de Jornalismo "Simón Bolívar" em sua categoria internacional, em cerimônia realizada em Caracas.
Em julho de 2025, o presidente venezuelano Nicolás Maduro concedeu pessoalmente a Sahar Emami o Prêmio Nacional de Jornalismo “Simón Bolívar” em sua categoria internacional, em cerimônia realizada em Caracas. | Crédito: Rádio Miraflores

Para Elham Abedini, o atentado contra a IRIB não foi um fato isolado, mas parte de um padrão sistemático de Israel de atingir jornalistas e centros de mídia: na Síria, no Líbano e, mais recentemente, no genocídio contra o povo palestino em Gaza. “Todo mundo sabia que o regime israelense é capaz de qualquer coisa e que nenhum lugar está a salvo dele”, diz.

Nesta quarta-feira (25), o vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas Palestinos, Tahseen Al-Astal, confirmou à Al-Kufiya TV que o número de jornalistas e profissionais da mídia mortos desde o início do genocídio de Israel chegou a 266.

Em meio à pressão militar, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, viajou a Genebra para a terceira rodada de negociações nucleares indiretas com os EUA, mediadas por Omã.

A jornalista não é otimista quanto às negociações: “Será de curto prazo. Acho que enfrentaremos algum tipo de intervenção militar dos Estados Unidos em nosso país”, afirma. A posição resulta da constatação da analista de que os norte-americanos mudam constantemente as demandas e critérios para chegar a acordos com seu país.

Em relação às ações de janeiro em várias cidades iranianas, Elham afirma que elas começaram como protestos legítimos sobre a situação econômica, mas foram logo cooptadas. Ela reconhece que pode haver problemas de gestão no Irã, mas diz que a maior parte das dificuldades enfrentadas pela população é consequência direta das políticas de asfixia impostas por Washington. Em janeiro, Trump ainda anunciou tarifa de 25% para qualquer país que mantivesse negócios com o Irã.

“Nos últimos meses, os preços dos medicamentos dispararam. Muitos pacientes, especialmente com câncer e hemofilia, acabam falecendo por causa das sanções. Alguns desses remédios, mesmo a preços mais altos, não conseguimos encontrar em lugar nenhum”, denuncia a jornalista.

Confira a entrevista na íntegra a seguir

Brasil de Fato: O envio dos Estados Unidos de dois porta-aviões, dezenas de aeronaves e caças furtivos, está sendo considerada a maior mobilização de armamento militar desde a invasão do Iraque em 2003. Qual é a perspectiva do Irã sobre essas ações militares dos Estados Unidos?

Elham Abedini: A partir da guerra de 12 dias [de 13 a 24 de junho de 2025], que o regime israelense e os Estados Unidos nos impuseram, o Irã sempre esteve pronto para que o conflito recomeçasse. Nunca pensamos que essa guerra tenha terminado, que tenhamos passado a uma espécie de cessar-fogo estável.

Estamos sempre trabalhando com essa hipótese de guerra. Durante todos esses meses, as pessoas, e também as autoridades, e nosso setor militar pensam nisso. Portanto, essa presença dos Estados Unidos, a presença militar em nossa região, não é uma novidade.

Sempre tivemos os interesses deles e suas bases na região. E, sim, esta é a maior presença depois de 2003. Mas não é algo que surpreendeu os iranianos.

Na verdade, as sanções que os Estados Unidos e seus aliados impuseram sobre nós durante todos esses anos, e suas consequências, não é algo realmente menos que uma guerra militar. E agora ainda enfrentamos sanções ainda mais fortes. Esse é o primeiro ponto.

O segundo ponto sobre essa presença militar, é que nós lembramos de como e o quê aconteceu com os Estados Unidos depois de terem lançado uma guerra contra o Afeganistão e contra o Iraque. Acho que não apenas eu, como analista de relações internacionais, mas todo mundo sabe que, depois da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos nunca tiveram uma vitória nem alcançaram todos os objetivos depois de uma ação militar. E é preciso levar em conta também que agora o Irã é realmente mais poderoso do que o Iraque, o Afeganistão ou outros países da região.

Portanto, acho que os Estados Unidos agora conhecem as consequências de uma guerra contra o Irã, especialmente as consequências para a região e para o seu interesse na região. O maior interesse para os Estados Unidos na região é Israel. E nós reconhecemos Israel como a maior base militar dos Estados Unidos.

Mesmo que os Estados Unidos, sem o regime israelense, lançassem uma guerra contra o Irã, o Irã definitivamente consideraria o regime israelense como seu alvo legítimo. E isso também vale para todas as bases e interesses dos EUA na região.

Os países da região estão avisando os Estados Unidos sobre as consequências de qualquer guerra. Mas eu acho que os Estados Unidos vão acabar cedendo novamente, e lançando uma guerra por causa de todos esses lobbies sionistas e todos os interesses que eles possuem na região.

Acredito que, mesmo que cheguemos a um acordo, ele será de curto prazo. E acho que enfrentaremos algum tipo de intervenção militar dos Estados Unidos em nosso país.

Você não está tão otimista quanto aos resultados do diálogo. Ao mesmo tempo, o Irã continua disponível para as vias diplomáticas para resolver os problemas com os EUA e Israel.

Acho que, como a história mostra, o Irã nunca foi a parte que abandonou o diálogo e deixou a mesa de negociação. O Irã sempre esteve pronto para o diálogo e tivemos muitas, muitas experiências. Agora, levamos mais de dois anos negociando sobre questões nucleares. Antes desta guerra de 12 dias que nos impuseram em 2025, estávamos na mesa de negociação. E mesmo depois que lançaram a guerra, continuamos negociando. Quero dizer, foi completamente simultâneo. Algumas autoridades iranianas não podiam acreditar que eles tivessem iniciado essa guerra; porque tínhamos certeza de que não foi iniciativa do regime israelense como um ator isolado. Os Estados Unidos apoiaram completamente.

Portanto, é óbvio que o Irã sempre tenta usar as ferramentas da diplomacia e tenta manter o diálogo. Mas, na prática, vemos que os Estados Unidos querem cada vez mais do Irã. Quando negociamos questões nucleares, eles querem discutir nosso programa de mísseis. Quando aceitamos, inclusive, discutir o programa de mísseis, eles mudam o alvo e começam a falar sobre a região e sobre o que eles chamam de ‘proxies’ — esse conceito de grupos controlados por nós. Nós não consideramos esses grupos como proxies, mas eles insistem nesse discurso. E não param por aí. A cada etapa, querem mais e mais concessões. Por causa disso é que eu acredito que, mesmo que cheguemos a um acordo, ele não será estável, não será sustentável. Porque depois de chegarmos a um acordo, eles passariam a considerá-lo apenas como uma primeira fase.

No mês passado, como você deve saber, enfrentamos uma tentativa de golpe no Irã. O Ministério das Relações Exteriores do Irã mostrou muitas evidências de que esses distúrbios e atividades terroristas que aconteceram em diferentes cidades do Irã foram alimentados e apoiados pelo Mossad e pela CIA. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos dizem: “Vamos para a mesa de negociação”. E tentam fazer atividades terroristas no Irã.

Qual é a diferença entre esses tipos de atividades terroristas e uma guerra direta? Estão na mesma categoria?

Sim, são ferramentas diferentes, mas no final, os Estados Unidos querem apenas uma coisa, e essa coisa é a mudança de regime.

E isso é algo que eles realmente reconhecem. Temos muitas declarações de funcionários dos EUA dizendo: “Queremos mudar o regime”. Às vezes dizem: “Não temos capacidade para fazer isso”.

Ou seja, a partir do momento em que os Estados Unidos e o regime israelense buscam a “mudança de regime” no Irã, com diferentes ferramentas, qualquer acordo é necessariamente de curto prazo e vai apenas adiar um confronto direto entre o Irã e os Estados Unidos.

Não quero defender a guerra ou dizer que a guerra é boa, mas quero dizer que é isso que os Estados Unidos querem, porque tentam intervir em questões internas de outros países. E enquanto continuarem tentando manter essa política, esse tipo de guerra contra diferentes países, especialmente no Sul Global, continuará.

Elham, recentemente Damon Wilson, o diretor da National Endowment for Democracy, que é uma organização financiada pelo governo dos EUA, admitiu que estava tentando introduzir alguns equipamentos de comunicação da Starlink dentro do Irã. E ao mesmo tempo, um diplomata holandês foi encontrado com um desses equipamentos no aeroporto de Teerã, há pouco também. Você pode comentar essa estratégia?

Após as atividades terroristas de 8 de janeiro no Irã, muitas de nossas autoridades, nosso Ministério das Relações Exteriores e também nosso setor de segurança, afirmaram que há muitas evidências de como o Mossad e a CIA alimentaram e apoiaram essas atividades terroristas. E, passo a passo, vemos mais e mais atividades, como você mencionou, este diplomata holandês ou mesmo outras embaixadas.

Por exemplo, não há nada acontecendo no Irã e, de repente, eles pedem que seus cidadãos deixem o país, isso é um tipo de propaganda. E o que isso acaba fazendo com a mentalidade do povo? O povo iraniano fica com medo, ou eles pensam que os Estados Unidos vão atacar o Irã na mesma noite. Eu considero tudo isso um tipo de propaganda que as embaixadas dos aliados dos Estados Unidos tentam fazer.

Alguns desses países chegam a dizer que podem mediar entre os Estados Unidos e o Irã, mas na realidade não vemos nenhuma mediação. Vemos apenas esse tipo de propaganda. Eles não tentam conhecer a realidade e o que acontece nas ruas de Teerã.

E agora vemos Donald Trump finalmente tirar a máscara e dizer que “se não chegarmos a um acordo com o Irã, infelizmente algo ruim acontecerá e uma situação ruim acontecerá até para o povo iraniano”. Nós sabemos isso desde o começo. Mas eles sempre diziam: “Não, há uma diferença entre o governo iraniano e o povo iraniano”.

Mesmo antes da revolução iraniana, antes da revolução islâmica, quando eles impuseram sanções contra nós, sancionaram as vítimas diretamente como povo iraniano, as pessoas comuns. Isso é algo que até o relatora das Nações Unidas [Alena Douhan, relatora especial da ONU sobre o impacto negativo das medidas coercitivas unilaterais no gozo dos direitos humanos] diz: o quanto isso afeta o povo iraniano. E agora vemos alguns funcionários americanos, como Richard Nephew [ex-Coordenador Global Anticorrupção dos EUA no Departamento de Estado de 2022 a 2024], que tem argumentado: “nós buscamos esse tipo de tumulto e agitação no Irã por meio dessas sanções”.

Desde o primeiro momento, eles sabiam o que estavam fazendo: tentar criar agitação e distúrbios entre o povo e fazer confrontar o povo e o governo iraniano. Dizendo ao mesmo tempo que querem ajudar o povo. Mas agora acho que essa máscara caiu e eles confessam diretamente que não se importam com o povo iraniano.

Até Donald Trump durante o período de atividades terroristas, fez uma publicação dizendo que “a ajuda está a caminho”. Onde está essa ajuda? Eu não acredito que seja ajuda, mas se fosse, qual seria essa ajuda? São esses aviões e todo o armamento que estão trazendo para a região? Isso é o para o povo iraniano? A gente tem que acreditar que isso é para ajudar o nosso povo?

Depois desses dois anos de genocídio em Gaza, acho que o mundo não pode mais acreditar nessa hipocrisia e nesses duplos padrões.

Agora eles podem ver o que é real, o que está acontecendo na região.

A sinceridade vem também cada vez mais do lado de israel, com líderes sionistas defendendo abertamente essa ideia do “Grande Israel”, e levando ela a cabo, inclusive: bombardeando vários países da região, tomando as Colinas de Golã, atacando o Líbano, etc. Qual tem sido o papel nessas recentes semanas de Israel nessa escalada contra o Irã?

Penso que isso é um alerta para todos os países da nossa região que pensam que a normalização com o regime israelense os ajudaria a trazer paz e estabilidade para a região. Agora vemos os funcionários do regime israelense direta, aberta e francamente falando sobre o Grande Israel, eles não escondem mais o que querem. É completamente óbvio que todos os países da região, e até mesmo outros países, como o Paquistão, estão em perigo diante das ameaças do regime israelense.

O que eles fizeram contra o Catar mostra que bombardeariam qualquer lugar, qualquer país que considerem uma ameaça. O Catar é um país com o qual os Estados Unidos trabalham. O Catar tenta ter um bom relacionamento com os Estados Unidos, um relacionamento neutro com outros aliados e também com o regime israelense. Mas eles bombardearam o Catar, lançaram um ataque contra o Catar. Sob o pretexto do Hamas, mas bombardearam um país soberano.

Portanto, é evidente que eles são uma ameaça para a região.

Sobre a situação de Israel e essa escalada atual, acho que a situação política interna do regime israelense pode ser um elemento importante. Penso que este seria o fim para Netanyahu se eles não conseguirem lançar uma guerra.

Se eles passarem por essa eleição sem uma guerra, Netanyahu desaparecerá do espectro político para sempre. Portanto, acho que Netanyahu tenta criar um inimigo estrangeiro para seu povo e seus funcionários para continuar se mantendo na posição de primeiro-ministro.

Podemos entender esse tipo de escalada em dois aspectos. O primeiro tem a ver com a agenda política do regime israelense, que é o “Grande Israel”. E o segundo é sobre a personalidade e os objetivos do próprio Netanyahu.

Os Estados Unidos têm uma enorme capacidade militar, mas há um reconhecimento, inclusive do lado estadunidense, de que o Irã pode causar danos severos.

Sobre esta questão, nossas autoridades militares e políticas afirmam que esta guerra não se limitaria ao solo iraniano. Com certeza os países da região seriam trazidos para esta guerra e ela seria maior. Porque o Irã pode entender, não apenas todas as bases militares dos Estados Unidos, mas também infraestruturas e investimentos que eles têm na região, como alvos legítimos. E nós reconhecemos Israel como a maior base militar dos Estados Unidos. Portanto, mesmo se os Estados Unidos disserem que esta guerra é só com eles e que o regime israelense não está envolvido, nós consideramos Israel como uma base militar dos Estados Unidos. Portanto, Israel seria o alvo legítimo para o Irã, assim como todas as suas bases militares e interesses na região.

Penso que as consequências para os Estados Unidos e também para o regime israelense seriam muito ruins. Não quero dizer que a guerra não teria consequências contra o Irã. Não, em absoluto. O Irã sofreria, como sofremos e tivemos muitas perdas durante a guerra de 12 dias. Mas esta não é uma guerra em que o Irã seria o perdedor. Os Estados Unidos, o regime israelense e todos os seus aliados na região teriam que pagar o custo.

Elham, você mesma foi alvo do regime israelense quando eles atacaram a sede da IRIB no ano passado. Você foi um alvo real do terrorismo israelense. Pode compartilhar sobre isso?

Eu mesma vi que havia apenas alguns jornalistas, âncoras e fotógrafos naquele edifício da IRIB. Eu ouvi na hora que o regime israelense lançou o ataque contra o edifício da IRIB. E eu vi que não havia militares, armas, nada. Havia apenas um programa ao vivo no Canal 6, que é um canal de notícias, e nossa âncora estava apenas lendo as notícias. Eu mesma tinha acabado de fazer um programa ao vivo apenas dois minutos antes do ataque acontecer. Era uma infraestrutura totalmente civil do Irã.

Mas eles lançaram um ataque contra a IRIB. E a questão mais importante é que nós sabíamos que poderíamos ser um alvo do regime israelense por causa da experiência, por causa da história, porque vimos como o regime israelense ataca jornalistas e centros de mídia durante esta guerra e genocídio contra Gaza e, mesmo antes disso, na Síria, no Líbano. E isso é o mais catastrófico: todo mundo sabia que qualquer coisa poderia acontecer por parte do regime israelense e que nenhum lugar está a salvo dele.

Para fechar, sabemos que este é um país que vem sofrendo há muito tempo com as sanções e até certo ponto superou algumas delas ao longo do tempo. Mas qual é a situação atual em relação ao impacto das sanções na vida cotidiana do povo iraniano?

No mês passado, antes mesmo das atividades terroristas, tudo começou com protestos econômicos legítimos de iranianos contra a situação do país. Depois, elementos estrangeiros tentaram explorar essas manifestações e convertê-las em ações terroristas.

É preciso dizer: sim, existem problemas de gestão no Irã. Mas a maior parte das dificuldades econômicas que enfrentamos hoje é consequência direta das sanções. Não podemos exportar petróleo nem outros produtos industriais e receber o pagamento de volta. Às vezes vendemos, mas o dinheiro não entra no país. Isso é o que vemos no dia a dia. Nossos problemas econômicos estão ligados a essa questão.

Os Estados Unidos tentam dizer que as sanções não afetam a saúde, por exemplo. Basta ir a qualquer hospital iraniano. Nos últimos meses, os preços dos medicamentos dispararam. O Irã tem seguro e o governo tenta controlar os preços, mas para pacientes com câncer e hemofilia, que dependem de remédios importados, enfrentamos um problema real. O custo fica altíssimo. Muitos pacientes acabam morrendo por causa das sanções. Não conseguimos importar alguns medicamentos, mesmo que seja a preços exorbitantes, simplesmente não temos acesso.

O setor da saúde, o setor da educação, sites e aplicativos que precisamos para estudar, inclusive, são filtrados ou sancionados. Nossos acadêmicos não conseguem acessar essas plataformas. Essas são algumas das consequências das sanções hoje.

Editado por: Maria Teresa Cruz

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