O espetáculo Bonecos de Pau, criado pelo bonequeiro Marcelo Tcheli e apresentado pelo grupo A Divina Comédia, inicia uma nova temporada pelo Rio Grande do Sul para marcar seus 15 anos de trajetória. Com apresentações gratuitas em cinco municípios, a turnê passa por Maquiné, Capão da Canoa, Osório, Canoas e Porto Alegre ao longo dos meses de fevereiro e março, com financiamento da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, executada pela Secretaria de Estado da Cultura.
Criado em 2009, o trabalho reúne nove esquetes e 16 bonecos artesanais manipulados por varas, técnica que dialoga com tradições como o teatro de marionetes da Sicília e o mamulengo pernambucano. Sem o uso de linguagem verbal, a montagem aposta na expressividade corporal dos bonecos e na trilha sonora para comunicar as histórias, característica que amplia o acesso ao público e permite que pessoas com deficiência auditiva acompanhem integralmente as apresentações.
A circulação comemorativa retoma o caráter itinerante que marca a história do grupo desde suas origens, quando o espetáculo era apresentado em formato de teatro em miniatura, nas tradicionais caixas de lambe-lambe, em espaços públicos como a Praça da Redenção, em Porto Alegre. Ao longo dos anos, a montagem foi ganhando novos cenários, personagens e recursos técnicos, mantendo, segundo o criador, a essência popular que acompanha o projeto desde o início.
Marcelo Tcheli afirma que a celebração de 15 anos representa ao mesmo tempo uma retomada da história e uma atualização estética. De acordo com ele, o espetáculo passou por renovação de cenários, inclusão de novos bonecos e ajustes dramatúrgicos, com atenção à ampliação da acessibilidade, mas preservando a identidade construída ao longo da trajetória.
Tradição e permanência
Com três décadas de atuação no teatro de animação, Marcelo Tcheli construiu trajetória que inclui participações em festivais nacionais e internacionais, com apresentações no México e na Tunísia. A linguagem adotada pelo Bonecos de Pau dialoga com tradições populares e mantém foco na expressividade física dos personagens.
O teatro de bonecos tem raízes profundas na cultura brasileira, especialmente no Nordeste, com o mamulengo reconhecido como patrimônio cultural do país. No Rio Grande do Sul, a prática também mantém presença em festivais e projetos de circulação, embora grupos independentes frequentemente enfrentem dificuldades estruturais, como acesso a editais, manutenção de espaços e custos de deslocamento.
Ao completar 15 anos, o Bonecos de Pau reafirma uma característica histórica do teatro popular: a mobilidade. Ao ocupar praças, escolas e instituições especializadas, o espetáculo retoma a lógica de circulação que antecede os palcos formais e aposta na proximidade com o público como eixo central da experiência artística.
A programação completa segue até o fim de março, com sessões gratuitas nas cinco cidades previstas. A expectativa da produção é ampliar o público alcançado ao longo da circulação e consolidar o espetáculo como parte do repertório permanente do grupo, mantendo viva a tradição do teatro de bonecos no estado.
Programação
MAQUINÉ
27/02 – 15h – Ponto de Cultura Amó (Linha Cachoeira, 2100)
28/02 – 15h – Aldeia Tekoa Ka’aguy Porã (Estrada RS 484)
19/03 – 15h – Escola Estadual Quilombola de Ensino Médio Santa Teresinha (RS 407,
Km 0 – Distrito de Morro Alto)
CAPÃO DA CANOA
05/03 – 10h – Skate Park de Capão da Canoa (Rua General Osório, 963 – Praça Marcelo
“Azul” Siqueira)
05/03 – 15h – Casa de Cultura Érico Veríssimo (Av. Flávio Boianovsky, 787, Centro)
OSÓRIO
17/03 – 9h – APAE Osório (Rodovia BR-101 – KM 99 – Encosta da Serra)
17/03 – 15h – Praça das Carretas (Rua Tristão Monteiro, 1205-1275, Centro)CANOAS
27/03 – 15h – Associação Pestalozzi de Canoas (Av. Guilherme Schell, 6206)
28/03 – 16h – Praça da Dona Mocinha (Esquina da Rua Júlio de Castilhos com a Rua
Lajeado, Bairro Niterói)
PORTO ALEGRE
29/03 – 11h e 14h – Praça da Redenção, Rua José Bonifácio, Bairro Bom Fim (em
frente aos banheiros)
