Depois de superar a Coreia do Sul em exportações em 2021, a Alemanha em 2022 e o Japão em 2023 para se tornar o maior exportador mundial de veículos, a China ultrapassou o conjunto das montadoras japonesas em vendas globais totais pela primeira vez na história, encerrando uma hegemonia nipônica de 25 anos.
Com cerca de 27 milhões de unidades comercializadas no mundo, a China deixou para trás o Japão, cujas fabricantes venderam aproximadamente 25 milhões de veículos no mesmo período, segundo levantamento do jornal japonês Nikkei com dados das próprias montadoras e da plataforma MarkLines.
Em 2023, a China chegou ao topo das exportações globais ao superar o Japão, com 4,91 milhões de veículos embarcados contra 4,42 milhões dos japoneses, segundo dados da Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis (ACFA) e da alfândega chinesa. Agora, em 2025, a virada se completou no indicador mais amplo: as vendas totais no mundo inteiro, incluindo a produção das montadoras fora do seu país de origem.
Rápido avanço
Em 2019, a China já produzia um volume importante de veículos: 25,77 milhões. Naquela época, as marcas chinesas estavam construindo uma reputação, com presença concentrada no mercado doméstico: apenas 4% da produção era exportada. A aposta no veículo elétrico impulsionou marcas antes desconhecidas a se tornarem referências globais de inovação.
Em 2024, a China já havia consolidado a liderança nos chamados veículos de nova energia (veículos elétricos, híbridos plug-in e a hidrogênio), produzindo 12,888 milhões de unidades, o equivalente a 70% da produção mundial nessa categoria, de acordo com dados da ACFA.
No ano seguinte, as exportações totais do território chinês chegaram a 8,32 milhões de veículos, terceiro ano consecutivo no primeiro lugar do ranking global de exportadores, com crescimento de 30% em relação a 2024, segundo a Associação Chinesa de Veículos de Passageiro (ACVP). Essa cifra, porém, inclui veículos de marcas estrangeiras fabricados na China, como os da Tesla em Xangai, que tem uma parte (de 25% a 30%) destinada à exportação.
Já em 2025, a BYD, produtora de carros elétricos, vendeu 4,6 milhões de veículos globalmente, ocupando o sexto lugar no ranking mundial, à frente da Ford, e se tornou a maior vendedora de carros elétricos puros do mundo, superando a própria Tesla.
A Geely alcançou 4,1 milhões de unidades, em oitavo lugar, ultrapassando a Honda. Ao todo, seis marcas chinesas figuraram entre as 20 maiores do mundo: BYD, Geely, Chery, Changan, SAIC e Great Wall Motors, um a mais do que as cinco japonesas presentes no mesmo grupo. A Nissan, por sua vez, caiu fora do top 10 global pela primeira vez desde 2004.
As exportações de veículos de nova energia tiveram um salto 70% em 2025, chegando a 3,43 milhões de unidades. Em 2024, o crescimento tinha sido de 16%. A penetração dos elétricos no mercado doméstico chinês ultrapassou 50%, com produção e vendas totais de veículos chegando a recordes de 34,53 milhões e 34,40 milhões de unidades, respectivamente, segundo a ACFA.
O papel da América Latina e do Brasil
A América Latina se tornou uma base importante para essa expansão, com a região integrando a migração do modelo chinês de exportação pura para a instalação de fábricas e cadeias produtivas no exterior.
Em 2025, o México se tornou o maior comprador individual de veículos chineses do mundo, com mais 625 mil unidades importadas, superando a Rússia, segundo dados divulgados pelo secretário-geral da ACVP, Cui Dongshu.
Ao mesmo tempo, três montadoras chinesas (Foton, JAC Motors e Shacman), possuem plantas de montagem no território mexicano, e mais de 20 fabricantes chineses de veículos e autopeças anunciaram investimentos combinados de US$ 7 bilhões (cerca de R$ 40 bilhões) no país, segundo dados do J.P. Morgan.
Já o Brasil ocupou o quarto lugar no ranking de destinos das exportações chinesas em 2025.
A fábrica da BYD em Camaçari, na Bahia, inaugurada em julho de 2025 com investimento de R$ 5,5 bilhões na planta da antiga Ford, tornou-se a maior montadora de veículos elétricos da América Latina.
A fábrica recebeu um pedido da Argentina e México de 100 mil veículos, 50 mil para cada país, representando dois terços de sua capacidade inicial. A informação foi divulgada pela vice-presidente executiva, Stella Li, em um evento em 13 março deste ano, segundo a Reuters.
A Great Wall Motors adquiriu a antiga fábrica da Mercedes-Benz em Iracemápolis, São Paulo, com previsão de investimento de R$ 10 bilhões de reais até 2032. A empresa desenvolveu para o mercado local uma tecnologia de motor flex híbrido plug-in compatível com o etanol de cana-de-açúcar amplamente utilizado no Brasil, posicionando modelos como o Hafeei H6 híbrido em segmentos até então dominados por marcas de luxo.
