FUTURO SUSTENTÁVEL

Conheça os carros 100% elétricos produzidos em Burkina Faso com tecnologia solar e apoio da China

País do Sahel inaugurou montagem de veículos elétricos em janeiro de 2025, revolucionando setor automobilístico nacional

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Abdoulatif Rouamba, director-general of Itaoua: “With the assembly carried out directly in Burkina Faso, we will be able to further reduce the cost of the vehicles, which will facilitate access to electric vehicles for the population.”
Abdoulatif Rouamba, diretor-geral da Itaoua: Abdoulatif Rouamba, director-general of Itaoua: “With the assembly carried out directly in Burkina Faso, we will be able to further reduce the cost of the vehicles, which will facilitate access to electric vehicles for the population.” | Crédito: Pedro Stropasolas/Brasil de Fato

Sob o governo do presidente Ibrahim Traoré, Burkina Faso lançou sua primeira marca de carros elétricos montados em território nacional, a Itaoua. O nome é uma homenagem a um vilarejo próximo de Uagadugu, a capital do país. Já o cavalo que ilustra a logomarca representa força, prestígio e longevidade.

Para conhecer os modelos já disponíveis e compreender como a Itaoua se tornou um símbolo da transformação industrial e sustentável que vive o país, o Brasil de Fato visitou a sede da empresa em Uagadugu. O diretor-geral da concessionária, Abdoulatif Rouamba, relembra o início dessa trajetória.

“A produção começou em janeiro de 2025. Em seguida, começamos a venda dos veículos elétricos Itaoua. Começamos com dois modelos de entrada, o Itaoua Sahel e o Itaoua Native. Depois recebemos outros modelos, como o Itaoua Tenakuru e o Itaoua Land Elder, que é uma picape”, destaca Rouamba.

“Hoje é possível dirigir com conforto, a baixo custo e ainda proteger o meio ambiente para as futuras gerações. Conduzir um veículo elétrico Itawa é contribuir diretamente para essa preservação”, completa.

O símbolo do cavalo da Itaoua representa força, prestígio e longevidade – Pedro Stropasolas/Brasil de Fato | Crédito: Pedro Stropasolas/Brasil de Fato

Econômico e moderno

Com apoio técnico da China, os veículos elétricos são montados em Ouaga 2000, um distrito localizado a 25 km da capital. Segundo Rouamba, engenheiros burkinabés foram treinados em fábricas chinesas e agora aplicam esse conhecimento em solo africano. Ele afirma que no momento a marca faz somente o processo de montagem, mas que há uma “perspectiva de lançar nossos próprios designs nos próximos anos” .

O diretor também valoriza a parceria com os países membros dos Brics. “Estamos trabalhando em um ambiente de negócios com países como a China e a Rússia, dentro de uma lógica de parceria ganha-ganha. Não é um modelo de colaboração em que somos explorados. Todos ganham sua parte. Também estamos inseridos em um processo de transferência de tecnologia. Por isso nossos técnicos foram formados lá fora e hoje aplicam o que aprenderam em benefício da Itaoua, de Burkina Faso e, de maneira geral, da África”, opina.

Modelo Sahel é o mais popular entre os modelos da Itaoua, mas não deixa de ser moderno – Pedro Stropasolas/Brasil de Fato | Crédito: Pedro Stropasolas/Brasil de Fato

Apesar do debate sobre o uso de minerais como lítio e cobalto, os carros elétricos apresentam menor impacto ambiental com a ausência de emissões diretas de CO2 e outros poluentes.

O modelo mais popular da Itaoua é o Sahel, um carro compacto, totalmente elétrico e equipado com GPS, Bluetooth e sistema de recarga solar. Uma carga completa custa entre 3.000 e 6.000 francos CFA, equivalente a um valor entre 30 e 60 reais. Para ser ter uma comparação nos custos, o litro da gasolina custa cerca de 8 reais no país atualmente.

O vendedor Cheik Omar Kone destaca a eficiência do modelo: “O Itaoua Sahel tem uma autonomia de até 330 quilômetros e pode ser recarregada em apenas 30 minutos em casa ou em estações rápidas.”

O trabalhador acredita que a grande vantagem dos veículos elétricos é o baixo custo por quilômetro rodado. “Os carros são econômicos, ecológicos e fundamentais para um país que enfrenta dificuldades na gestão de combustíveis. Com os elétricos, ajudaremos a população a se deslocar mais facilmente e de maneira sustentável”, destaca Omar Kone.

Transporte por aplicativo

A Itaoua também investe em modelos híbridos, como o Tenakuru, equipado com câmeras 3D, teto solar panorâmico e três modos de condução: econômico, normal e esportivo. Segundo os representantes da montadora, essa nova indústria automobilística é parte de uma estratégia do Governo de Ibrahim Traoré para alcançar a soberania energética ofertando emprego à juventude do país.

Para Omar Kone, o momento é de avanço: “O país está evoluindo em vários aspectos: transporte, infraestrutura e muito mais. Muitos burkinabés acreditam na eletrificação. Já vendemos carros para o Estado, para particulares e até para uma empresa que opera táxis elétricos. Estamos no caminho certo. O povo burkinabé realmente confia no elétrico”, avalia o jovem.

O vendedor Cheik Omar Kone valoriza a revolução industrial em curso hoje em seu país – Pedro Stropasolas/Brasil de Fato | Crédito: Pedro Stropasolas/Brasil de Fato

Atualmente, circulam na capital Uagadugu cerca de 30 táxis elétricos da marca criada pelo governo burkinabé. O diretor-geral da Itaoua Abdoulatif Rouamba revela os planos de ampliar essa frota para mais de 100 veículos nos próximos meses.

“Atualmente temos parceiros que compram os veículos elétricos Itaoua e inauguram modelos de mobilidade elétrica para transporte por aplicativo, os VTC’s. Em vez de carros movidos a combustível, já existem veículos totalmente elétricos operando esses serviços”, valoriza Rouamba.

“É importante notar que, em Burkina Faso, a maior parte dos táxis é bastante antiga, veículos importados, conhecidos como ‘França Au Revoir’. São carros que chegam ao país já muito desgastados. Nosso objetivo é criar uma nova dinâmica que permita aos taxistas utilizarem veículos totalmente novos, que são muito mais rentáveis em comparação aos movidos a combustíveis fósseis”, completa.

Ele encerra projetando um futuro para essa transformação sustentável: “Acredito que, nos próximos anos, poderemos conquistar primeiro a África Ocidental, depois toda a África e, por que não, chegar a países europeus, americanos e asiáticos”.

Editado por: Nathallia Fonseca

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