Os governos dos países do Oriente Médio pedem cessar-fogo, respeito à soberania do Irã e diálogo para resolver diferenças, segundo o enviado especial do governo chinês à região, Zhai Jun, que percorreu países-chave após o início dos ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã.
Na coletiva de imprensa, o enviado especial reafirmou ainda a posição da China em condenar os ataques ilegais dos EUA e Israel e a busca de uma diplomacia da paz e a defesa do direto internacional.
Segundo Zhai Jun, os países da região “estão profundamente preocupados com o impacto da guerra e pedem cessar-fogo, proteção de civis e diálogo para resolver diferenças”, exigindo implicitamente respeito à soberania do Irã.
“Uma vez aberta a caixa de Pandora da guerra, ela causará danos intermináveis. Não haverá vencedores e quem sofrerá mais serão os povos da região”, disse Zhai Jun, sublinhando a urgência de proteger civis e evitar a escalada do conflito.
Ao longo da visita, Zhai Jun se reuniu com os ministros das Relações Exteriores da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos, do Bahrein, do Kuwait e do Egito, além dos secretários-gerais do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) e da Liga dos Estados Árabes, e manteve contatos com autoridades iranianas. Segundo ele, os países visitados condenaram ataques a civis e infraestrutura vital, reforçando a necessidade de proteger a população e evitar um colapso econômico regional.
Durante a missão, Zhai Jun enfrentou condições excepcionais: aeroportos de vários países visitados estavam fechados e o espaço aéreo restrito, exigindo deslocamentos por estrada entre capitais regionais. Ele relatou que mísseis interceptores explodiam no céu enquanto sua comitiva cruzava fronteiras, mostrando o impacto direto da guerra sobre os países visitados.
O enviado chinês criticou diretamente os ataques não autorizados: “Os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã sem autorização do Conselho de Segurança da ONU violam a Carta das Nações Unidas e o direito internacional. A China se opõe firmemente e condena tais atos.”
Ele ressaltou ainda que a guerra já causou mais de 21 mil vítimas e afetou o comércio e a economia global, especialmente em cadeias de energia e transporte. Zhai enfatizou a importância de proteger o estreito de Hormuz, corredor estratégico para o petróleo mundial, que deve permanecer aberto e seguro.
Segundo Zhai, os países visitados reconheceram que o Irã é um vizinho legítimo e apoiam a resolução de diferenças por diálogo e negociação, valorizando declarações do Irã de que não atacará países vizinhos. Eles também destacaram que a China tem desempenhado papel justo e constante na mediação diplomática desde o início da escalada do conflito, e esperam que o país amplie sua atuação para reduzir tensões e pavimentar o caminho para um cessar-fogo.
O enviado chinês criticou ainda o unilateralismo e o uso da força. “O poder e uso da força não dão razão a niguém. Nenhum país deve atacar outros à sua vontade. A comunidade internacional deve se unir contra violações do direito internacional.”
Ele reforçou o papel da China como mediadora responsável: “O povo chinês valoriza a importância suprema da paz, e a base da política da China no Oriente Médio é promover reconciliação e paz. Como um grande país responsável e amigo sincero dos países da região, a China manterá comunicação estreita com as partes, ajudará a reduzir tensões, pavimentará o caminho para um cessar-fogo e construirá pontes para reiniciar o diálogo. Enquanto o conflito continuar, não descansaremos em nossos esforços de mediação diplomática”, disse Zhai.
O enviado espacial lembrou que o contexto histórico da região evidencia décadas de conflitos envolvendo Israel e os Estados Unidos, incluindo a ocupação de territórios palestinos, campanhas militares no Iraque e no Afeganistão, e intervenções em países como a Síria, muitas vezes com consequências humanitárias severas e destruição de infraestrutura e que é preciso priorizar a estabilidade política, proteção da população e desenvolvimento econômico.
A visita de Zhai Jun e suas declarações mostram que a comunidade internacional deve se mobilizar para evitar a expansão do conflito, proteger vidas e infraestrutura, e garantir que o Oriente Médio não se torne novamente palco de destruição em larga escala. A atuação da China é destacada como fundamental para a estabilidade regional, promovendo negociações, respeito à soberania do Irã e proteção de civis.
