crise energética

Economista critica teses alarmistas sobre impactos da guerra do Irã no mercado de combustíveis: ‘Cria um desajuste mental na população’

Daniel Conceição aponta que haverá 'choque de custos', mas que Brasil é autossuficiente em itens essenciais

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Vista do Estreito de Ormuz, corredor marítimo central para o escoamento de petróleo no mundo, na costa de Omã | Crédito: Giuseppe Cacace/AFP
Vista do Estreito de Ormuz, corredor marítimo central para o escoamento de petróleo no mundo, na costa de Omã | Crédito: Giuseppe Cacace/AFP

A guerra promovida por Estados Unidos e Israel contra o Irã completou um mês, o Estreito de Ormuz segue bloqueado e os impactos diretos à economia global vêm aparecendo, especialmente no que diz respeito ao mercado de combustíveis. O economista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Daniel da Conceição alerta, no entanto, que o cenário não pode ser analisado de forma alarmista e afirma que o risco real que já pode ser observado é o de “choque de custos”.

“Eu diria que o único risco hoje que eu enxergaria, para além de um choque de custos, pelo canal do preço dos combustíveis, é o sucesso dessas pessoas em criarem o desajuste mental numa parcela grande da população. Pessoas desesperadas, destrambelhadas que possam reagir como se o apocalipse tivesse perto de acontecer. Aí você pode mobilizar setores, vamos supor, mobilizar caminhoneiros para fazerem atos sabotadores do transporte de carga no Brasil. E aí você conseguiria criar algo para além do choque de custos que a gente vai enfrentar”, avalia o economista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Conceição afirma que a economia brasileira é autossuficiente em itens essenciais e isso é uma vantagem. “Os preços de coisas que a gente exporta por conta da escassez imposta pela guerra, combustíveis e outros produtos que também podem ser impactados pelo pelo esforço de guerra, pela destruição da guerra, pelos impactos logísticos que a guerra tem no sistema de distribuição global, isso acaba beneficiando as receitas de exportação do Brasil. Agora, é importante notar que esses efeitos não são necessariamente efeitos distribuídos de maneira homogênea para a sociedade brasileira”, critica.

O economista explica que, o ideal, é que esse cenário fosse revertido em benefício da população, mas reconhece que será difícil que isso ocorra. “Os donos das empresas exportadoras vão ficar felizes da vida com o aumento desses preços, mas para que isso se transforme em benefício pro resto da população. Se for necessário um aumento na produção, porque a gente vai ocupar mercados e espaços de outros exportadores que vão deixar de exportar, aí sim você teria uma expansão desse emprego e o efeito multiplicador a partir daí”, avalia.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Luís Indriunas

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