Servidores públicos e estudantes realizaram um ato nesta segunda-feira (6) na Praça do Buriti, em Brasília. O ato unificado reuniu trabalhadores em greve da saúde, assistência social, professores e estudantes da Universidade do Distrito Federal (UnDF), que denunciam falta de diálogo e cobram valorização das carreiras.
A mobilização aumenta a pressão sobre a governadora Celina Leão (PP) para atender às demandas de diversas categorias insatisfeitas com a gestão do Governo do Distrito Federal (GDF).
O protesto coincide com o último dia de envio de projetos de lei ao Legislativo que envolvem alterações orçamentárias e possíveis reestruturações de carreira. Kissila Mendes, professora da UnDF, explica que o prazo motivou a presença conjunta das categorias no ato.
Mas, segundo Mendes, o cenário é de isolamento nas negociações. Apesar de uma sinalização positiva por parte da Câmara Legislativa, onde havia expectativa de aprovação de propostas, os manifestantes criticam a postura do Executivo.
Ela também relatou que, até o momento, não houve abertura por parte do governo para escutar os trabalhadores. “Temos essa articulação positiva na Câmara, mas com muito pouco diálogo com o Executivo e sem nenhum diálogo com a reitoria”, aponta a professora.
Contingenciamentos
Os servidores da saúde também estiveram presentes na mobilização e criticaram a política adotada pelo GDF, especialmente no que diz respeito à terceirização dos serviços.
Durante o ato, o representante do Sindicato dos Enfermeiros, Jorge Henrique, contextualizou a ausência de novos projetos de reestruturação das carreiras ao afirmar que a decisão do governo está ligada a um modelo de gestão que prioriza contratos com o setor privado.
“Não existe saúde pública que sustente esse tanto de terceirização. O nosso dinheiro, o nosso patrimônio, está indo para os empresários da saúde”, disse. O sindicalista também chamou atenção para o impacto das decisões orçamentárias recentes, ao lembrar os cortes significativos em áreas essenciais.
Segundo ele, o contingenciado R$ 1 bilhão da saúde e R$ 1 bilhão para a educação deu sequência ao projeto de terceirização dos serviços essenciais. Para Jorge Henrique, esse cenário reforça a necessidade de construir “um movimento unificado das carreiras” contra o desmonte.
UnDF em greve
Os estudantes da UnDF também estiveram presentes na manifestação, levando o debate sobre as consequências de decisões administrativas recentes. Em greve há cerca de 20 dias, o movimento denuncia a mudança de campus sem consulta prévia à comunidade acadêmica. Representante do Diretório Central Acadêmico, a estudante Bárbara Oliveira criticou a condução do processo.
Ela ressaltou os impactos da medida sobre os estudantes, explicando que “mais de 70% dos alunos serão afetados por uma mudança sem garantia de subsídio e sem qualquer planejamento”, comprometendo a permanência estudantil, especialmente para aqueles que dependem do transporte público e que organizaram suas rotinas em função da localização atual da universidade.
Além disso, o movimento estudantil levanta questionamentos sobre a transparência na gestão dos recursos públicos. “Uma parcela significativa da verba destinada ao campus Ceilândia não apresenta destinação clara”, aponta Oliveira, o que, segundo ela, fragiliza a confiança da comunidade acadêmica.
As críticas também se estendem ao ambiente interno da universidade, onde estudantes relatam episódios de pressão durante a greve. Nesse contexto, a representante do DCE mencionou denúncias de assédio e represálias, classificando a situação como uma violação de direitos e um obstáculo à participação democrática.
Sobrecarga na assistência social
A mobilização desta segunda-feira (6) aconteceu diante de uma crescente pressão sobre o governo de Celina Leão, que, embora tenha afirmado que vai enfrentar desigualdades entre carreiras, é alvo de críticas pela ausência de diálogo e pela falta de encaminhamento de propostas dentro do prazo legal.
O Sindicato dos Servidores e Empregados da Assistência Social e Cultural do GDF (Sindsasc) também expressou a insatisfação da categoria. Em greve, os servidores denunciam a precarização das condições de trabalho, a sobrecarga nas unidades de atendimento e a ausência de avanços nas negociações com o Executivo, mesmo diante da crescente demanda pelos serviços socioassistenciais no DF.
A categoria reivindica a reestruturação da carreira, a recomposição salarial e melhores condições de funcionamento dos equipamentos públicos, destacando que a assistência social tem sido historicamente negligenciada pelo governo.
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