Escalada

‘Gangues promovem um clima de terror no Haiti’, afirma correspondente do BdF no país

Cha Dafol explica o que está por trás do massacre que deixou mais de 70 mortos na semana passada

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Debris and rubble are piled along houses destroyed by armed gangs in 2024 in the Solino neighborhood of Port-au-Prince, Haiti, on March 3, 2026. Haiti's presidential transitional council, which has run the impoverished Caribbean nation for nearly two years, on February 7, 2026, handed power to US-backed Prime Minister Alix Didier Fils-Aime, after failing to rein in rampant gang violence. Rubio said in February he was upbeat about progress in setting up a new UN-blessed force to suppress Haiti's powerful gangs and voiced hope that the country will finally hold elections this year for the first time in a decade. (Photo by Clarens SIFFROY / AFP)
Casas destruídas pelo ataque de gangues em Porto Príncipe, capital do Haiti | Crédito: Clarens Siffroy/AFP

O Haiti está mergulhado em uma escalada de violência. Na semana passada, ataques de gangues deixaram mais de 70 pessoas mortas. O Exército do Haiti decretou estado máximo de emergência militar, que começa nesta segunda-feira (6) com o objetivo de frear os ataques de grupos criminosos e trazer alguma tranquilidade ao longo desta semana.

A jornalista e correspondente do Brasil de Fato no Haiti Cha Dafol afirma, ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, que o clima é de tensão no país e explica como essas gangues têm operado. “Esses ataques podem acontecer a qualquer momento. É muito mais um clima de terror, onde, por exemplo, durante o ano não tem nada, a população passa a achar que vai estar tudo bem, que as coisas vão melhorar e, do nada, às 2h da manhã, no sábado, as gangues chegam e atiram, fazem a população sair de suas casas, atiram nas pessoas que estão fugindo, põem fogo nas casas e aí começa o caos de um dia, dois dias, uma semana”, conta.

A jornalista conta que algumas estimativas indicam que a capital haitiana, Porto Príncipe, tem quase 80% do território sob influência de ação desses grupos armados. Ela também avalia que algumas regiões que tem vivido sob ataque das gangues têm posição estratégica, por exemplo, para dar vazão ao tráfico de drogas.

Dafol explica que esse fenômeno tem produzido, além da evidente violência, um outro impacto social: os chamados refugiados internos do país. “A gente não está combatendo essas gangues, a gente está vivendo um deslocamento do terror. Esses episódios reverberam obviamente em muitos outros municípios, até porque esses refugiados vão para algum lugar. A gente viu os os municípios vizinhos, essas regiões vizinhas que também recebem refugiados nas casas, nas escolas, nos espaços públicos e e o país tem que tem que lidar também com essa situação.”

Questionada sobre qual o objetivo dessas gangues, CHa Dafol é taxativa ao dizer que é muito difícil saber quem financia e está por trás dessas ações.

“Essas gangues atacam hospitais, prédios públicos, universidades e imprensa. A gente não está falando de guerras de gangues, porque elas até têm uma mínima organização entre elas. Nesse episódio de agora, é uma gangue que já controlava a região. Então eu não vejo outra função a não ser manter esse estado de caos, esse estado de não Estado”, conclui.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Thaís Ferraz

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