POVO IRMÃO

Solidariedade sem fronteiras: Venezuela recebe de braços abertos internacionalistas do MST

Movimento Sem Terra enviou 41 militantes para colaborar com o país três meses após agressão dos Estados Unidos

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Internacionalistas vão conhecer as experiências das comunas venezuelanas e prestar solidariedade aos comuneiros.
Internacionalistas vão conhecer as experiências das comunas venezuelanas e prestar solidariedade aos comuneiros | Crédito: Tonhão/MST Sergipe

Nem a distância, a saudade ou a dificuldade com o idioma têm sido motivo para que os mais de 40 internacionalistas do Movimento Sem Terra (MST), presentes na Venezuela, se esmoreçam. 

Iara Niquini veio de Minas Gerais e está há uma semana na capital venezuelana. Para ela, foi uma surpresa se deparar com uma realidade que não é vista nos meios de comunicação comerciais do Brasil.

“Não nos falta alegria, não nos falta pão e não nos falta absolutamente nada. Não nos falta força e não falta força nesse povo. E a união, principalmente. Sempre que nós saímos, sempre que foi para conhecer algum lugar, ver ou participar de algum ato, a população estava lá e os movimentos estavam lá. As pessoas amam este país e a gente aprende com este amor também”, diz a militante do movimento Mãos Solidárias.

Durante os primeiros dias de estadia na capital venezuelana, os militantes internacionalistas participaram de processos formativos para conhecer a realidade dos venezuelanos, além de participarem de atos públicos e visitarem lugares que contam um pouco da história do país. 

Maria Silva é integrante da brigada permanente do MST no país e foi responsável por ministrar uma oficina de comunicação para que os internacionalistas tenham os instrumentos necessários para difundir a verdade sobre o que veem.

“No Brasil, ao menos, conhece-se muito pouco sobre o que são as comunas. Eu lembro que já houve alguns materiais a respeito disso, inclusive o Brasil de Fato fez um material sobre esse tema, mas ainda não conseguimos saber de fato o que acontece no interior da comuna. Então, a gente precisa, além de vivenciar isso, mostrar também esse processo. Fazer uma oficina de comunicação para essas pessoas que estão indo passar um mês e meio, que são dois meses no total da brigada, mas um mês e meio nesses territórios, convivendo com as pessoas locais, é de fundamental importância para podermos também conhecer”, afirma a brigadista. 

“No Brasil, no MST, dizemos que todo sem-terra é um comunicador popular ou, se não é, deveria ser. Eu acho que é algo que também se aplica às comunas. Todo comuneiro precisa e deve ser um comunicador popular dos processos que vivem nos territórios. Por isso, em alguns momentos, colocamos como orientação desenvolver oficinas de comunicação nas comunas ou de qualquer outro trabalho que vamos desenvolver por lá”, completa.

Para Jailma Lopes, da coordenação nacional do MST, a ação de solidariedade é uma via de mão dupla. À medida que os militantes contribuem para a resistência dos venezuelanos diante da agressão imperialista, também se formam na perspectiva do trabalho coletivo e se inspiram no projeto popular das comunas bolivarianas. 

Em Caracas, os militantes internacionalistas participaram de processos formativos para conhecer a realidade dos venezuelanos.
Em Caracas, os militantes internacionalistas participaram de processos formativos para conhecer a realidade dos venezuelanos. | Crédito: Tonhão/MST Sergipe

“A questão central que nos une é como a Revolução Bolivariana tem edificado a construção de um poder popular enraizado nos centros urbanos e também em várias regiões do país a partir das comunas. Esta é a nossa centralidade desta aliança com a Revolução Bolivariana. Queremos entender como o Estado Bolivariano e a Revolução Bolivariana constroem esse poder, consolidam um processo de organização popular e garantem a sustentação deste governo e dessas transformações a partir da organização popular. Para nós, isso é a centralidade desta aliança e é no que nós vamos centralmente tentar contribuir ao longo destes dois meses por aqui”, afirma.

E para quem os recebe, o trabalho da brigada é uma excelente oportunidade para aprender e trocar experiências com um dos maiores movimentos populares de todo o mundo. Como explica Luis, comuneiro da Comuna El Maizal, localizada no estado venezuelano de Lara. 

“Os companheiros do MST desempenham também um papel importante conosco aqui porque, por parte deles, também construíram uma metodologia de trabalho e uma metodologia formativa conosco conjuntamente. No território será muito crucial, já que muitas pessoas esperam que cheguemos lá para fortalecê-los tanto pedagogicamente como na parte organizativa, para consolidar os circuitos comunais e as comunas”, aponta o comuneiro.

Serão dois meses de trabalho intenso. Depois de Caracas, o grupo se divide em seis frentes de trabalho, cada uma em um território comunal, antes de retornar ao Brasil com a bagagem cheia de inspiração para seguir a luta em seu país. 

Editado por: Thaís Ferraz

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