A ausência do presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Souza, na reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na manhã desta terça-feira (7), repercutiu na sessão ordinária desta tarde na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).
Parlamentares foram à tribuna criticar a falta de Souza como desrespeito ao Legislativo, e intensificaram cobranças por esclarecimentos sobre as operações do banco, alvo de denúncias recentes. Souza e o secretário adjunto de Economia, Daniel Izaías de Carvalho, foram formalmente convocados para prestar esclarecimentos em uma nova data.
O deputado Fábio Félix (Psol-DF) afirmou que a convocação aprovada na CCJ não é um fato trivial, mas uma resposta a um episódio grave. Segundo ele, o maior escândalo de fraude bancária do país exige atuação firme da Câmara. O parlamentar também criticou o descumprimento de um acordo prévio para comparecimento do presidente do BRB e disse que a ausência representa “desmoralização” da Casa.
Para Félix, a convocação obrigatória foi um recado direto de que o Legislativo não aceitará ser ignorado. O deputado reforçou ainda que a população cobra explicações sobre os negócios envolvendo o BRB, incluindo transações com o Banco Master e fundos ligados à empresa Reag.
Em tom mais duro, ele cobrou que os envolvidos sejam responsabilizados judicialmente. “A gente só pode descansar quando essas pessoas estiverem respondendo pelo que fizeram com o dinheiro público”, declarou, ao relacionar o caso a impactos em áreas como saúde, educação e infraestrutura.
Transações com Master
Também na tribuna, o deputado Gabriel Magno (PT-DF) trouxe novos números e questionamentos sobre as operações do banco. Ele afirmou que os valores envolvidos podem chegar a R$ 40 bilhões em transações com o Banco Master, incluindo aquisições realizadas após alerta de irregularidades. O parlamentar questionou quem teria autorizado as compras e cobrou explicações. “Quem mandou comprar? Isso precisa ser explicado à sociedade, à polícia e à Justiça”, disse.
Magno ainda citou investimentos em fundos associados a investigações sobre lavagem de dinheiro e criticou a condução do governo local. Para ele, o caso representa um escândalo de grandes proporções e exige respostas das autoridades responsáveis pela gestão do banco.
“Um bilhão e meio de reais em fundos da Reag, ligada à operação que investigava lavagem de dinheiro para o crime organizado. O governo colocou o BRB nesse negócio. É escandaloso o que está acontecendo”, afirmou o deputado.
Já o deputado Chico Vigilante (PT-DF) associou as denúncias envolvendo o BRB à situação dos serviços públicos no Distrito Federal. Em discurso, ele classificou as operações como um “assalto aos cofres públicos” e afirmou que decisões equivocadas contribuíram para a falta de recursos em áreas essenciais.
“Isso é assalto. Assalto aos cofres da população do Distrito Federal. Depois dizem que não tem dinheiro pra saúde, pra educação, mas tem gente morrendo na fila dos hospitais, tem mais de 100 mil pessoas esperando regulação”, declarou.
O parlamentar também criticou o que considera incoerência entre a realidade da população e a comunicação oficial do governo: “A propaganda diz que está tudo bem, mas a realidade é outra. Falta atendimento, falta estrutura e quem paga essa conta é a população”, afirmou.
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