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Frágil cessar-fogo entre EUA e Irã gera nova guerra de narrativas sobre a continuação do conflito

Gustavo Menon avaliou também o nível de pressão global no governo Donald Trump para o anúncio da suspensão dos ataques

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Vista do Estreito de Ormuz, corredor marítimo central para o escoamento de petróleo no mundo, na costa de Omã | Crédito: Giuseppe Cacace/AFP
Vista do Estreito de Ormuz, corredor marítimo central para o escoamento de petróleo no mundo, na costa de Omã | Crédito: Giuseppe Cacace/AFP

O Estreito de Ormuz foi fechado novamente pelo governo do Irã depois que bombardeios em ilhas iranianas foram registrados. A reabertura do canal era condição para o cessar-fogo anunciado pelos Estados Unidos na terça-feira (7). Na avaliação do governo persa, o cessar-fogo foi desrespeitado e a responsabilidade é dos EUA.

Segundo Gustavo Menon, professor da Universidade Católica de Brasília (UCB) e do Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina (Prolam-USP), o frágil cessar-fogo gerou um nova guerra de narrativas sobre o conflito.

“Quando nós analisamos o desdobramento, os episódios dos últimos dias, das últimas horas em relação à guerra perpetuada a partir dessa aliança entre Estados Unidos e Israel, frente ao país persa, observem que estamos lidando só em termos de controlar determinados recursos, áreas geoeconômicas, geoestratégicas relevantes, mas também uma disputa em termos de guerras de narrativas acerca desse frágil cessar fogo anunciado nas últimas horas, quando nós analisamos exatamente as pressões inflacionárias no campo dos alimentos, no campo energético”, afirma o problema.

Menon aponta que Trump sai fragilizado do conflito. “Diferentes atores estão se posicionando diante desse cenário de cruzamento de crises. Para Trump, trata-se de uma aposta que vem sendo redobrada em razão de Trump estar sendo severamente contestado, não apenas no plano internacional por aliados históricos, como no plano doméstico”, avalia, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato

“Tem prevalecido a política do mais forte. Com o escalar da guerra, esse cessar-fogo tão frágil, tão tímido parece não resistir a materialidade dos fatos. Donald Trump tenta sufocar seus adversários com sanções comerciais”, analisa Menon.

A situação se agrava na medida em que o principal aliado dos EUA, Israel anuncia que vai seguir bombardeando o Líbano porque o país não faria parte desse acordo do cessar-fogo. “Netanyahu necessita dessa guerra para se manter no poder. Para além do genocídio em Gaza, cada vez mais essas iniciativas expansionistas vão acontecendo e agora seguem ocupando boa parte do território ao sul do Líbano. E ele tenta se amparar cada vez mais a essa política e as forças israelenses cada vez mais legitimando essa ação arbitrária, unilateral e ilegal que afeta a correlação de forças em todo o Oriente Médio. Por causa do sionismo, Israel tem colocado em xeque a existência de povos que querem viver em paz. E ele arrastou Donald Trump para esse conflito”, explica.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Luís Indriunas

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