A derrota iminente na guerra contra o Irã parece ter deixado o presidente dos Estados Unidos ainda mais descolado da realidade. Acostumado a fazer política a partir de narrativas falsas, Donald Trump afirmou na última segunda-feira (6) que “é o político mais popular da Venezuela”, e chegou a brincar que poderia se candidatar à Presidência do país sul-americano.
“Na Venezuela, tenho um índice de aprovação que ninguém jamais alcançou. Assim que este trabalho aqui terminar, posso ir para a Venezuela. Sou bom com idiomas, então aprenderei espanhol rapidamente. Irei para a Venezuela e vou me candidatar à Presidência”, afirmou o estadunidense.
A afirmação vai ao encontro da narrativa construída pela imprensa internacional pró-Estados Unidos e “absoluto controle” da potência militar contra o país sul-americano, após o bombardeio e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama e deputada nacional, Cilia Flores, em 3 de janeiro deste ano. Mas a realidade é um tanto distinta.
“É uma injustiça que esse orangotango laranja, esse velho mal, esse Trump está fazendo”, disse a senhora Juana, que se identifica como a “guerreira de Anzoátegui”, estado do nordeste do país, enquanto a equipe do Brasil de Fato realizava gravações no local.
“Eu disse ao Trump em 2016″, seguiu a senhora. “Monstro, vilão, não se meta com a Venezuela porque a Venezuela se respeita e nosso presidente constitucional da República Bolivariana da Venezuela é Nicolás Maduro Moro’. Que não se equivoquem, porque lá em cima está um Deus que vê para baixo e Deus vai cobrar de você, Trump, porque o que você está fazendo é matando crianças, matando inocentes, matando gente”, completou Juana, passando a se referir ao bombardeio realizado em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos na escola Shajareh Tayyebeh, em Minab, no Irã, que resultou na morte de 175 meninas.
Outra senhora se aproximou, e interrompeu a conversa: “Mas a Venezuela está de pé”, e seguiu. “Chávez nos libertou. E Nicolás Maduro Moros segue em frente e o que vamos fazer é ir para frente. Então, devolva-nos o nosso presidente porque o que você está fazendo é enrolando com o Nicolás lá para continuar roubando nosso petróleo”, completou, identificando-se em seguida como Maria Linares, moradora de Caracas.
De leste a oeste
Do outro lado da cidade, em uma região com maior presença opositora, as opiniões convergem. “Esse louco não pode fazer o que quer, tem que respeitar o direito internacional. Venezuela é um país que se respeita”, disse o senhor José Briceño, que lia a edição do jornal El Nacional, que noticiava as condições impostas pelo governo iraniano ao governo de Trump.
“Quando íamos imaginar que um presidente dos Estados Unidos teria a desfaçatez de bombardear nosso país, um país soberano. Sim, queremos mudanças, mas não às custas de vidas dos nossos. Isso é o que eu penso”, afirmou Jenny Alvarado, que trabalha em um hotel da região.
“Olha o que estão fazendo no Irã. Esse senhor é completamente louco”, disse outra senhora que preferiu não dizer o nome, na entrada da estação de metrô Altamira, região leste da capital.
Maduro por toda parte
Por outro lado, pouco mais de três meses após a agressão imperialista continuam surgindo mensagens de apoio ao presidente sequestrado em outdoors, telões e muros da cidade.

“Até nos carros oficiais, está lá a foto do homem dizendo que ele é o presidente”, observou Napoleão, um dos internacionalistas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que chegou à Venezuela há cerca de duas semanas para conhecer as experiências populares das Comunas Socialistas e contribuir com a Revolução Bolivariana.
“Los queremos de vuelta”, diz a maioria das mensagens vistas em toda parte. Na praça Bolívar de Caracas, um telão conta os dias, horas e minutos do sequestro de Maduro e Cilia. Ao redor, uma plateia de cadeiras e um microfone aberto, onde muitos cidadãos, sobretudo os mais idosos, se manifestam pelo retorno de seus compatriotas.

| Crédito: Jesus Vargas/AFP
