Autoridades dos Estados Unidos e do Irã se reúnem neste sábado (11), no Paquistão, para uma nova rodada de negociações em busca de um cessar-fogo definitivo.
O vice-presidente dos Estados Unidos JD Vance teve um encontro prévio com o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, em Islamabad, antes da negociação com representantes do Irã. Também fazem parte da comitiva dos EUA o enviado especial Steve Witkoff e o investidor e ex-conselheiro sênior da Casa Branca Jared Kushner.
Por parte do Irã, altos funcionários do país estarão presentes, como o presidente do parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi.
Segundo informações locais, as negociações começaram, oficialmente, às 10h deste sábado (11), horário de Brasília (DF). Participam as delegações de EUA e Irã, e mediadores do Paquistão.
Fontes também confirmam que houve um encontro direto entre as autoridades de Irã e EUA, diferentemente do que se esperava antes deste sábado, quando a expectativa era que seriam apenas conversas indiretas por intermédio de membros do governo paquistanês. No entanto, membros dos dois países estiveram na mesma sala.
Enquanto as negociações acontecem, Israel voltou a atacar a região sul do Líbano, matando ao menos 10 pessoas, sendo dois médicos, um paramédico e outro membro da defesa civil.
Segundo jornalistas no Líbano do veículo Al Jazeera, militares israelenses também vem destruindo e incendiando cidades, impedindo a população de voltar para casa, mesmo após o fim do conflito.
As fontes também afirmam que forças do Hezbollah vem respondendo os ataques com lançamento de mísseis.
O Irã exige garantias para o fim da guerra e contra ataques futuros, além do encerramento das sanções econômicas, controle sobre o Estreito de Ormuz e interrupção dos ataques israelenses ao Líbano. Também reivindica uma indenização pelos ataques conjuntos de Washington e Israel, e o descongelamento dos ativos iranianos no exterior.
Entre as exigências dos EUA estão o fim do programa nuclear do Irã e a reabertura imediata do Estreito de Ormuz.
A nova rodada vem após uma série de violações do último cessar-fogo, estabelecido na terça-feira, dia 7. Desde então, autoridades do Líbano afirmam que ataques israelenses mataram, ao menos, 357 pessoas, fora um número ainda incerto de desaparecidos nos escombros.
Após o acordo de terça, Israel afirmou que não iria cessar os ataques contra o Líbano, o que motivou o Irã a não manter os termos do tratado feito com os Estados Unidos e, por exemplo, voltar a fechar o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
“O descumprimento dos compromissos” por Israel “torna as negociações inúteis”, disse o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, na quinta-feira (9), acrescentando que seu país “jamais abandonará seus irmãos e irmãs libaneses”.
“A realização de negociações para pôr fim à guerra depende do respeito dos Estados Unidos aos seus compromissos de cessar-fogo em todas as frentes, particularmente no Líbano”, insistiu Esmail Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã.
O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou, em sua mais recente mensagem, que a República Islâmica não deseja guerra com os Estados Unidos e Israel, mas que protegerá seus direitos como nação, informou a televisão estatal.
