Sem chegar a um acordo, as negociações para um possível cessar-fogo entre o Irã e os Estados Unidos foram encerradas neste domingo (12). Representantes do alto escalão dos governos iranianos e estadunidenses estavam reunidos em Islamabad, no Paquistão, neste final de semana.
Após o impasse, o líder do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, que participou das conversas, disse que Washington foi incapaz de ganhar a confiança do país.
“Meus colegas da delegação iraniana […] apresentaram iniciativas construtivas, mas, em última análise, a outra parte não conseguiu conquistar a confiança da delegação iraniana nesta rodada de negociações”, escreveu Ghalibaf em postagem no X.
O ministro das Relações Exteriores do Irã atribuiu o fracasso às “exigências excessivas” apresentadas pela delegação estadunidense. Entre as exigências estava o fim do programa nuclear iraniano e a reabertura imediata do Estreito de Ormuz, o que foi negado pelo Irã.
“A delegação iraniana negociou de forma contínua e intensa durante 21 horas para proteger os interesses nacionais do povo iraniano; apesar das várias iniciativas da delegação iraniana, as exigências descabidas do lado americano impediram o progresso das negociações. Assim, as negociações foram encerradas”, afirmou.
Além disso, Baqaei disse que ninguém esperava que as negociações com os Estados Unidos chegassem a um acordo na primeira rodada. “Naturalmente, desde o início, não deveríamos esperar chegar a um acordo em uma única sessão. Ninguém tinha essa expectativa”, disse o porta-voz do ministério, Esmaeil Baqaei, segundo a emissora estatal Irib. Ele avaliou estar confiante de que os contatos com o Paquistão continuarão.
O Irã exige garantias para o fim da guerra e contra ataques futuros, além do encerramento das sanções econômicas, controle sobre o Estreito de Ormuz e interrupção dos ataques israelenses ao Líbano.
“O sucesso deste processo diplomático depende da seriedade e da boa-fé da outra parte, da abstenção da ganância e de exigências ilegais, e do reconhecimento dos direitos legítimos e dos justos interesses do Irã”, afirmou Baqaei.
Embora tenha falhado em chegar a um acordo para o cessar-fogo, o encontro é considerado um fato histórico por ter reunido representantes do alto escalão do governo iraniano e estadunidense pela primeira vez, desde a Revolução Islâmica, em 1979.
Por parte dos EUA, a comissão foi liderada pelo vice-presidente J.D Vance. “A boa notícia é que tivemos discussões significativas com os iranianos. A má notícia é que não chegamos a um acordo, e acho que é uma notícia muito pior para o Irã do que para os EUA”, disse o estadunidense.
As delegações realizaram três rodadas de conversas neste final de semana. A última terminou na madrugada de domingo (12), noite de sábado no Brasil.
Ameaça de Trump
Em uma postagem na rede Truth Social, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que a Marinha estadunidense fará o bloqueio de todos os navios que tentarem entrar ou sair do Estreito de Ormuz. Ele alegou ainda que o Irã está fazendo uma extorsão mundial e que outras nações irão participar do bloqueio, sem citar quais. O Irã, no entanto, liberou passagem humanitária e de nações amigas no estreito.
Violência no Líbano
A posição de Israel de que o cessar-fogo não afeta o Líbano é um dos complicadores para a negociação. Militares israelenses lançaram ataques e fizeram uma invasão terrestre contra o Hezbollah, movimento apoiado pelo Irã.
Segundo as autoridades libanesas, os ataques israelenses no sul do país, nesse sábado (11), mataram 18 pessoas, elevando o número de mortos pelas ações israelenses para mais de 2 mil desde o início da guerra.
Estão previstas negociações entre Israel e Líbano nesta semana, a serem realizadas em Washington. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que deseja um acordo de paz com o Líbano que “durará por gerações”. Por outro lado, Israel descartou um cessar-fogo com o Hezbollah.
*Com informações de AFP, Telesur e Tasnim
