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Eleitores na Hungria derrotam extrema direita, mas país mantém perfil conservador

Segundo analista Henrique Gomes, Peter Magyar está em uma centro-direita democrática, mas com pautas conservadoras

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Peter Magyar, líder do partido Tisza, acena com a bandeira nacional durante as comemorações na festa da noite eleitoral em Budapeste, após as eleições gerais na Hungria, em 12 de abril de 2026.
Peter Magyar, líder do partido Tisza, acena com a bandeira nacional após as eleições gerais na Hungria | Crédito: Ferenc Isza/AFP

A população da Hungria escolhe seu novo parlamento e tira a extrema direita do poder depois de 16 anos. O próximo primeiro-ministro do país é o líder da oposição, Peter Magyar, do partido Tisza. O pleito aconteceu no domingo (12), quando 80% do eleitorado foi às urnas e derrotou Viktor Orbán, do Fidesz.

O analista internacional e doutorando em ciência política pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Henrique Gomes destaca, no entanto, que apesar da mudança, Magyar também é de direita.

“A Hungria é um país de perfil conservador, mas é importante pontuar o quanto foi forte a mobilização para essa eleição. Foi a eleição com maior participação da história recente da Hungria. Foi uma derrota acachapante [para o partido de Viktor Orbán]”, explica.

“A questão é que, na eleição anterior, em 2022, foi feita uma oposição unificada contra o Fidesz, liderada pela esquerda, mas isso não vingou. Para conseguir um número de votos suficientes para derrotar Orbán, foi necessária uma aliança de direita. A gente teve a disputa entre a extrema direita populista do Fidez e uma centro-direita, mais democrática, liderada pelo Peter Magyar, que, apesar de direita, é pró-Europa, pró-Ucrânia, é a favor da integração”, relata.

Gomes, contudo, elenca algumas das pautas do espectro conservador que terão posicionamento mantido. Uma delas é a questão da imigração. “O Peter Magyar usou o discurso anti-imigração, inclusive acusou Orbán de ter sido leniente. Imigração é um assunto inegociável para a Hungria.”

O analista acredita que é possível avaliar que “o pêndulo da política mundial está saindo da direita e se inclinando à esquerda”.

“A gente teve alguns casos de vitória da direita, como Milei na Argentina, a volta de Trump, Kast no Chile. Agora a gente vê na Hungria a derrota da extrema direita. É claro que o governo novo é de direita, mas não é uma direita radical, não é extrema direita. Talvez isso possa ser um sinal até esperançoso para o Brasil”, afirma.

Gomes também destaca que a relação da União Europeia com o conflito Rússia-Ucrânia também poderá ter alteração substancial, uma vez que Orbán era aliado de primeira hora de Putin. “A União Europeia é a que mais está feliz com esse resultado. Orbán era um problema. Podemos, sim, avaliar que a Ucrânia tem agora um aliado”, destaca.

Editado por: Luís Indriunas

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