A população da Hungria escolhe seu novo parlamento e tira a extrema direita do poder depois de 16 anos. O próximo primeiro-ministro do país é o líder da oposição, Peter Magyar, do partido Tisza. O pleito aconteceu no domingo (12), quando 80% do eleitorado foi às urnas e derrotou Viktor Orbán, do Fidesz.
O analista internacional e doutorando em ciência política pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Henrique Gomes destaca, no entanto, que apesar da mudança, Magyar também é de direita.
“A Hungria é um país de perfil conservador, mas é importante pontuar o quanto foi forte a mobilização para essa eleição. Foi a eleição com maior participação da história recente da Hungria. Foi uma derrota acachapante [para o partido de Viktor Orbán]”, explica.
“A questão é que, na eleição anterior, em 2022, foi feita uma oposição unificada contra o Fidesz, liderada pela esquerda, mas isso não vingou. Para conseguir um número de votos suficientes para derrotar Orbán, foi necessária uma aliança de direita. A gente teve a disputa entre a extrema direita populista do Fidez e uma centro-direita, mais democrática, liderada pelo Peter Magyar, que, apesar de direita, é pró-Europa, pró-Ucrânia, é a favor da integração”, relata.
Gomes, contudo, elenca algumas das pautas do espectro conservador que terão posicionamento mantido. Uma delas é a questão da imigração. “O Peter Magyar usou o discurso anti-imigração, inclusive acusou Orbán de ter sido leniente. Imigração é um assunto inegociável para a Hungria.”
O analista acredita que é possível avaliar que “o pêndulo da política mundial está saindo da direita e se inclinando à esquerda”.
“A gente teve alguns casos de vitória da direita, como Milei na Argentina, a volta de Trump, Kast no Chile. Agora a gente vê na Hungria a derrota da extrema direita. É claro que o governo novo é de direita, mas não é uma direita radical, não é extrema direita. Talvez isso possa ser um sinal até esperançoso para o Brasil”, afirma.
Gomes também destaca que a relação da União Europeia com o conflito Rússia-Ucrânia também poderá ter alteração substancial, uma vez que Orbán era aliado de primeira hora de Putin. “A União Europeia é a que mais está feliz com esse resultado. Orbán era um problema. Podemos, sim, avaliar que a Ucrânia tem agora um aliado”, destaca.
