Eleições na Hungria

Rússia diz que resultado das eleições na Hungria não afetará conflito na Ucrânia

Com a derrota de Viktor Orbán, cresce a incerteza sobre o bloqueio húngaro ao empréstimo da UE destinado à Ucrânia

Peter Magyar, líder do partido Tisza, acena com a bandeira nacional durante as comemorações na festa da noite eleitoral em Budapeste, após as eleições gerais na Hungria, em 12 de abril de 2026.
Peter Magyar, líder do partido Tisza, acena com a bandeira nacional após as eleições gerais na Hungria | Crédito: Ferenc Isza/AFP

O porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, comentou o resultado das eleições na Hungria no último domingo (12) e afirmou que a votação não afetará o conflito na Ucrânia. “Não creio que isso tenha qualquer relação com o futuro do conflito russo-ucraniano. São processos provavelmente diferentes. Portanto, não vejo nenhuma ligação”, disse a jornalistas nesta segunda-feira (13).

De acordo com ele, a Rússia defende a continuidade dos contatos pragmáticos entre Moscou e Budapeste. Peskov também reforçou o respeito ao resultado das eleições húngaras. “A Hungria fez sua escolha e nós a respeitamos”, completou.

O pleito húngaro ficou marcado pela derrota do primeiro-ministro Viktor Orbán, após 16 anos no poder, e a vitória de Peter Magyar. Orbán era visto como uma figura próxima aos interesses de Moscou e, consequentemente, um obstáculo da União Europeia no apoio à Ucrânia e na aprovação de sanções contra a Rússia.

Em particular, sob o governo de Orbán, Budapeste recentemente bloqueou a 20ª rodada de sanções contra Moscou e um empréstimo de 90 bilhões de euros da União Europeia para a Ucrânia após Kiev interromper o trânsito de petróleo russo para a Hungria e a Eslováquia pelo gasoduto Druzhba.

Nesse contexto, Peskov afirmou que a Rússia continuará sendo um dos fornecedores de energia mais confiáveis ​​do mundo, inclusive para a Hungria. Ao comentar os possíveis efeitos da troca no poder húngaro sobre o bloqueio do empréstimo da UE para a Ucrânia, o porta-voz da presidência russa declarou que “essa é uma decisão que será tomada em Bruxelas”.

“Acreditamos que quaisquer ações que continuem ou alimentem as aspirações militaristas e pró-guerra do regime de Kiev são passos que não contribuem para a busca de uma solução pacífica”, disse Peskov. “No entanto, os europeus não escondem sua posição geral de continuar esta guerra, de fazer tudo o que puderem para facilitar sua continuação”, acrescentou.

Ao mesmo tempo, Peskov observou que a Rússia deseja continuar construindo boas relações com a Hungria. “Ouvimos declarações, especialmente sobre a disposição para o diálogo. Naturalmente, isso será benéfico tanto para Moscou quanto para Budapeste. […] Repito, temos interesse em construir relações proveitosas com a Hungria, assim como com todos os países europeus”, afirmou.

Peskov observou que, embora a Rússia ainda não tenha visto reciprocidade por parte dos países europeus, expressou a disposição de dialogar.

Com 98,9% dos votos apurados, o partido Tisza conquistou 138 das 199 cadeiras (sendo necessárias 133). O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, cujo partido Fidesz obteve 55 cadeiras, reconheceu a derrota nas eleições parlamentares do país, mas declarou que continuará atuando na política e servindo ao país na oposição.

Após a vitória, o líder do partido Tisza, Péter Magyar, declarou que a Hungria deveria iniciar negociações com o presidente russo, Vladimir Putin. Ele também destacou a dependência da Hungria em relação à Rússia no setor energético.

“Teremos que nos sentar à mesa com o presidente russo. A posição geográfica da Rússia e da Hungria não mudará”, disse Magyar.

Editado por: Rafaella Coury

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