COMUNA OU NADA

Processos de autogestão territoriais se fortalecem após ataque imperialista contra a Venezuela

Agressão militar dos EUA resultou em uma maior unidade interna em torno do projeto revolucionário socialista

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Comuneiro e comuneiras têm se mobilizado permanentemente para pedir pela liberdade do presidente Nicolás Maduro e da deputada nacional Cilia Flores, sequestrados pelos Estados Unidos.
Comuneiros e comuneiras têm se mobilizado permanentemente para pedir pela liberdade do presidente Nicolás Maduro e da deputada nacional Cilia Flores, sequestrados pelos Estados Unidos | Crédito: Ministério das Comunas da Venezuela

Se o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pensava que o projeto de transformação da realidade venezuelana iniciado com a Revolução Bolivariana em 1999 iria acabar após o bombardeio e sequestro do seu presidente, Nicolás Maduro, se enganou redondamente. 

Após o dia 3 de janeiro, data da agressão estadunidense ao país sul-americano, o povo venezuelano decidiu responder ao ataque com mais socialismo. E, nesse sentido, as comunas cumprem um papel fundamental, como explica a porta-voz da Comuna Zamora Vive en Tierras Ricaute, Merlín Arado.

“O que aconteceu conosco em 3 de janeiro, para nós serviu para nos afirmarmos mais como povo, como uma grande família, como o povo venezuelano, de saber que nosso presidente está sequestrado, em poucas palavras, mas nós demonstramos que, com unidade, nós aqui, em nosso país, nós venceremos aqui. Seguimos trabalhando, seguimos avançando, seguimos crescendo cada dia mais. Pelo contrário, estamos mais fortalecidos que nunca. Nossa revolução vai para frente e seguimos como ponta de lança em nosso país, Venezuela”, afirma a comuneira.

As comunas são unidades territoriais que envolvem não só a vida em comunidade, como também são parte de um projeto político de transformações a partir das bases, em que o interesse coletivo prevalece, inclusive no desenvolvimento de processos produtivos, cada uma segundo suas potencialidades. 

Atualmente, já são quase 4 mil comunas espalhadas por todo o território venezuelano. Dessas, 53 são conformadas por povos indígenas, 1.056 rurais, 1.851 suburbanas ou mistas e 964 urbanas, totalizando 3.924.

Nairuvia Silva explica que cada comuna tem seus porta-vozes eleitos democraticamente a partir do voto secreto. Eles são responsáveis por articular, junto ao governo, a constituição de um banco comunal, instituição responsável por organizar os recursos provenientes dos incentivos estatais e das iniciativas de produção comunais, para posteriormente assigná-los aos projetos de melhora da vida em comunidade.

“A comuna é espaço novo de vida, de construção, é um espaço que nos permite trabalhar de maneira conjunta, articulada e pensando sempre em função do coletivo. Ou seja, a comuna tem sido um espaço que vai permitir construir esse novo modelo social, esse novo modelo de economia e esse novo modelo de país que, de verdade, é a partir daí que vamos parir o socialismo; não há outro caminho”, afirma Silva.

“Hoje, mais do que nunca, depois do que passou em 3 de janeiro, segue viva, no povo venezuelano, a esperança de parir o socialismo através da comuna. Não há outro caminho de construção que diga como nós, de maneira articulada, podemos avançar neste novo modelo de país, porque, de verdade, desde 3 de janeiro, isso nos ensinou que somente de maneira conjunta, articulada, formada e em união para produzir vamos poder levar adiante o que é a Venezuela. Isso, mais do que nos desunir, nos uniu como povo venezuelano”, ressalta a porta-voz.

Durante visita a uma comuna do estado Trujillo, nos Andes venezuelanos, o ministro de Comunas, Angel Prado, explicou que, mesmo com a forte campanha internacional de desinformação contra a Venezuela, o chavismo segue como a única força política com capacidade de governar o país. 

“Se a Venezuela não é governada pelo chavismo, não é governada por ninguém. Aqui governará o chavismo para sempre, heroicamente. Aqui governarão os patriotas, as patriotas. E isso é o que tem que ser informado ao mundo. Aqui ninguém vai quebrar nossa moral. Aqui ninguém vai frear o avanço do projeto bolivariano. Não é a primeira vez que passamos por uma dificuldade, mas aqui, nossa tarefa de construir o socialismo é irrenunciável”, declarou o ministro. 

Prado destacou que, após o ataque estadunidense, a determinação do governo venezuelano tem sido avançar com a certificação de novas comunas pelo país, consolidando o projeto de poder popular. Trujillo, por exemplo, será declarado muito em breve a primeira unidade federativa organizada 100% através das comunas. 

“Vamos impulsionar os processos, as assembleias, que a gente seja eleito por voto secreto para que, bom, o que tiver liderança fique ali, tenha maior legitimidade e depois passemos à etapa de registro, à etapa de constituição de todas as instâncias e possamos entregar logo os certificados. E depois, que façamos um ato político com a presidenta Delcy [Rodríguez, interina], com o capitão Diosdado [Cabello, Ministro do Interior, Justiça e Paz] e declaremos o estado Trujillo um estado 100% comunal em cumprimento ao que determinou o presidente Nicolás Maduro.”

“Comuna ou nada”. A frase, cunhada pelo então presidente Hugo Chávez, é repetida à exaustão pelas organizações populares, sinalizando a determinação de um povo que não pretende deixar retroceder o projeto de país inaugurado pela Revolução Bolivariana.

Editado por: Rafaella Coury

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