A visita do presidente de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, à China, concluída nesta terça-feira (22), marcou um novo momento nas relações bilaterais entre os dois países, com o anúncio do fortalecimento da cooperação econômica e da aposta moçambicana em industrialização e na redução da dependência externa. O encontro em Pequim com o presidente chinês Xi Jinping também resultou na elevação formal dos laços a uma “comunidade com um futuro compartilhado na nova era”, reforçando a aproximação política e econômica no contexto da ampliação das relações da China com países do Sul Global.
Em Pequim, o presidente chinês Xi Jinping afirmou que a relação entre China e Moçambique tem caráter histórico profundo e atravessa diferentes períodos. “A tradicional amizade entre China e Moçambique transcendeu o tempo e o espaço”, disse.
Xi ampliou essa leitura ao afirmar que “a tradicional amizade entre China e Moçambique transcendeu através da história e atravessou montanhas e oceanos”. Ele destacou ainda o papel de conexões históricas antigas, lembrando que “há mais de 600 anos, o navegador chinês Zheng He, da dinastia Ming, liderou uma frota até a costa moçambicana”.
O presidente chinês também resgatou o período de apoio político durante a luta de libertação nacional. “Nos anos 1960 e 1970, apesar de suas próprias grandes dificuldades, a China firmemente apoiou o povo moçambicano em sua luta pela independência nacional e libertação”, afirmou. Segundo Xi, esse processo ajudou a formar a base da relação atual, marcada por “profundos sentimentos revolucionários que estabeleceram uma base sólida para a amizade bilateral”.
Xi ainda defendeu o aprofundamento da cooperação no contexto atual. “Sob as novas circunstâncias, o contínuo aprofundamento da cooperação amigável entre China e Moçambique atende às aspirações comuns dos povos de ambos os países”, disse, acrescentando que isso “se alinha à tendência do nosso tempo em que o Sul Global fortalece solidariedade e cooperação para enfrentar desafios conjuntos”.
O encontro terminou com a proposta de elevação formal da relação bilateral. Xi sugeriu “elevar as relações bilaterais a uma comunidade China–Moçambique com um futuro compartilhado na nova era”.
Cooperação avança em meio à busca por autonomia econômica
A visita de Daniel Chapo ocorre em sua primeira viagem oficial à China desde que assumiu a presidência de Moçambique. Ele passou por províncias chinesas antes de chegar a Pequim.
Durante o encontro, o presidente moçambicano destacou o caráter político da aproximação e a centralidade da relação com a China no cenário internacional. “Os povos de Moçambique e da China compartilham laços fraternos”, afirmou.
Chapo também vinculou a visita às iniciativas globais apresentadas por Pequim. “Nossa visita à China é em resposta à série de importantes iniciativas e propostas que você apresentou, incluindo a Iniciativa Cinturão e Rota, a Iniciativa de Desenvolvimento Global, a Iniciativa de Segurança Global, a Iniciativa de Civilização Global, a Iniciativa de Governança Global, bem como a visão de construção de uma comunidade com futuro compartilhado para a humanidade”, disse.
Segundo ele, essas propostas têm impacto mais amplo. “Essas importantes ideias estão impulsionando o mundo em direção a um progresso sustentado, e a China está desempenhando um papel muito importante nessas áreas”, afirmou.
Cooperação e reconfiguração global
A aproximação ocorre em um contexto em que Moçambique busca acelerar sua industrialização e reduzir dependências externas em setores estratégicos como energia, agricultura, mineração e infraestrutura.
O país possui uma das maiores reservas de gás natural da África Austral, na Bacia do Rovuma, e ocupa posição estratégica como corredor logístico entre o interior do continente e o Oceano Índico.
A relação entre os dois países se insere em um quadro mais amplo de cooperação entre China e África, marcado pela expansão de projetos em infraestrutura, energia e comércio, além de uma crescente integração produtiva.
A elevação das relações entre China e Moçambique reflete um movimento mais amplo da diplomacia chinesa no continente africano, baseado na ampliação da cooperação política e econômica e no fortalecimento da articulação entre países do Sul Global.
