A disciplina, compromisso e trabalho permanente de formação, organização e mobilização contra a burguesia, o oportunismo e o imperialismo, que foram características da militância comunista, fazem falta nos dias atuais.
Hoje não se pode cobrar, criticar, nem se tem a prática de fazer autocrítica. Qualquer observação sobre a disciplina, o trabalho coletivo e as tarefas atuais, que possa desagradar, é motivo de melindres, afastamento ou intrigas. Reunir-se se tornou encontros rápidos, virtuais e sem tempo para a exposição de ideias que possam reforçar as trincheiras de combate.
O desejo de se ter algum poder, por menor que seja, pode ser o melhor celular, o carrão, seguidores nas redes, algum cargo, impede a empatia. O secundário se tornou principal. A luta de classes se transformou em uma luta de gêneros, etnias e posições pessoais ou identidades. Combater o voluntarismo, espontaneísmo e carreirismo, vícios e características difundidas pelas classes abastadas, pouco tem eco entre quem se diz de esquerda.
Não se aprende mais com o passado, nem com a experiência, isso não tem mais valor. Mesmo quem estuda, lê ou tem informações e alguma formação teórica, não demonstra aprender com a história das lutas revolucionárias, mesmo ainda diante da situação atual. Nega-se às revoluções, práticas revolucionárias e o compromisso com a conquista do socialismo.
A intriga é certeira, está por todos os lados, como uma bala que ricocheteia. Se uma crítica desagrada, alimenta-se a fofoca, a dispersão, queimando-se quem a faz. Impõe-se o estrangulamento econômico para quem não se alinha ao oportunismo que reina.
A maledicência é alimentada a todos os instantes por gente que se diz de esquerda (a direita sempre fez isso, especialmente contra os comunistas). O único objetivo é angariar simpatizantes, para isso se usa o sorriso fácil, o discurso sem firmeza, uma postura cada vez mais gelatinosa, que possibilita galgar espaço entre as forças hegemônicas, institucionais, sem atuar para forjar a unidade do povo e das autênticas forças e militantes consequentes e revolucionários (sim, ainda há).
A traição se tornou comum, nem amizade, nem companheirismo, nem camaradagem, silêncio e os golpes são certeiros. Atende-se ligações ou contesta mensagens quando quer, esconde-se atrás da tecnologia pensada para dividir, confundir e se omitir do debate.
Nem importa o extermínio imposto pelos sionistas e os EUA, o avanço da extrema direita, do fascismo, nazismo e do sionismo, não há unidade, nem disposição para fazer o enfrentamento aos inimigos dos povos. Busca-se criar pontos para dividir. Questiona-se a resistência armada revolucionária, a autodefesa, a ousadia de enfrentar o imperialismo por seus agentes e dirigentes.
Que falta faz a disciplina revolucionária, tradicional de militantes comunistas, como a crítica e autocrítica, que permite se fortalecer e crescer. A capacidade de compreender o materialismo histórico e dialético, sem se deixar encantar pelas luzes e prebendas difundidas pela burguesia para cooptar militantes. Que falta faz o autêntico debate entre todas as forças que se propõem a combater o capitalismo e o imperialismo e conquistar o socialismo.
*Pedro César Batista é jornalista, bacharel em Direito com especialização em Antropologia. Diretor e apresentador há 11 anos do programa letras e livros na TV Comunitária de Brasília. Autor de 17 livros, entre os quais “João Batista, mártir da luta pela reforma agrária” (Expressão Popular, 2009) e “Marcha interrompida” (Thesaurus, 2006). Vive em Brasília.
**Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato – DF.
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