Com a definição da pré-candidatura do ex-deputado estadual Gelson Merisio (PSB) ao governo de Santa Catarina, com apoio do PT e PDT, está confirmado que os petistas não terão nenhum candidato a governador na região Sul, fato inédito desde a redemocratização do país.
Ângela Albino, do PDT, será a vice na chapa dos progressistas. Ao Senado, o PT lançará Décio Lima, que concorreu à prefeitura de Florianópolis em 2024 como pré-candidato, que terá a concorrência à esquerda de Afrânio Broppré (Psol).
No Paraná, o PT apoiará a pré-candidatura do deputado estadual Requião Filho (PDT) e o palanque do campo progressista será completado com a deputada federal Gleisi Hoffman (PT), pré-candidata ao Senado.
No Rio Grande do Sul, o PT abriu mão da pré-candidatura do presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto, para apoiar Juliana Brizola, do PDT, aliado ao PSB.
Em 2022, Pretto disputou o governo do Rio Grande do Sul e ficou fora do segundo turno por menos de dois mil votos. Na época, a etapa extra da eleição gaúcha foi disputada por Onyx Lorenzoni, do PL, e Eduardo Leite, que era do PSDB, hoje no PSD, que venceu o pleito e se tornou governador.
O Rio Grande do Sul é um dos estados onde os petistas possuem maior força política. Alguns dos principais quadros do partido são formados nas fileiras gaúchas. Olívio Dutra, que governou o estado entre 1999 e 2023, é um deles.
O petista concorreu ao cargo de governador em quatro oportunidades, a última em 2006. A primeira disputa foi 1982, a primeira eleição pós-ditadura militar, quando perdeu para Jair Soares, do extinto PDS.
Tática eleitoral
Em 2022, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) perdeu a eleição para Jair Bolsonaro (PL) nos três estados do Sul. No Rio Grande do Sul, o petista teve 43,65% dos votos, contra 56,35% do ex-mandatário.
No Paraná, Lula conseguiu apenas 37,60% dos votos e Jair Bolsonaro somou 62,40%. Em Santa Catarina, Lula teve a pior derrota. O atual presidente alcançou apenas 30,73% e o ex-presidente, que agora está em prisão domiciliar, 69,27%.
Os resultados forçaram o PT a buscar palanques que considera mais competitivos para 2026, com partidos aliados, com a finalidade de estreitar a diferença entre Lula e o pré-candidato da extrema direita à presidência, Flávio Bolsonaro (PL).
