O ex-advogado-geral da União, Jorge Messias, passa por sabatina nesta quarta-feira (29) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. A divisão entre governo e oposição com relação à aprovação do nome de Messias à cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF) continua evidente, mas um pouco mais pacificada do que no final do ano passado, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou a indicação.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o cientista político Rafael Cortez destaca a marca de contradição envolvendo o nome de Messias, que por um lado sempre foi um nome considerado aliado de Lula, mas por outro é evangélico e dialoga com uma esfera mais conservadora. Cortez também lembra que uma das maiores resistências a Messias veio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que desejava ter alguém aliado da Casa na mais alta Corte do Judiciário brasileiro.
“Há quem diga que mesmo depois desse longo período de telefonemas e mudanças no ambiente político, que ainda assim se trata de uma nomeação que tem risco de não se efetivar”, avalia. “O governo Lula tem minoria e teria o Supremo para obter algumas vitórias. Por outro lado, o perfil pessoal do Jorge Messias, sobretudo a sua condição de um nome ligado ao campo evangélico ou ao chamado campo conservador, de alguma maneira poderia ser uma peça importante na sua aprovação, porque quebraria a tendência do Supremo Tribunal Federal em entrar de uma maneira mais ambiciosa nas chamadas agendas de valores. Então eu acho que foi um pouco esse o caso, e hoje, digamos, é a prova dos nove”, afirma Cortez.
Um dos pontos marcantes entre o final da manhã e início desta tarde foram os questionamentos relacionados à ação de Messias como representante da AGU, que pediu a prisão dos envolvidos na tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023. A extrema direita tem usado o episódio para dizer que houve censura e restrição de liberdades por parte de Messias.
Para o cientista político, a estratégia não surpreende e, diante do momento de fragilidade na credibilidade do STF com supostos envolvimentos de alguns ministros no escândalo do Banco Master, isso vai se agravar.
“Eu acho que há um oportunismo político ainda mais forte por parte da direita de usar o STF para fazer críticas e colocar o debate nos termos de restrição de liberdade. Não vejo mudança [na postura da oposição]. Vejo, na verdade, um agravamento dessa estratégia até como consequência da perda da imagem do Supremo Tribunal Federal junto ao eleitorado. É um Supremo que virou objeto de avaliação política, gostemos ou não desse cenário”, analisa.
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