Nesta quarta-feira (6), mães que transformam o luto em luta estarão presentes em um ato na Praça dos Direitos Humanos, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A mobilização une famílias e movimentos sociais em um grito por memória e justiça em meio à aproximação de uma data simbólica: o Dia das Mães.
O evento celebra a maternidade a partir da luta coletiva como ferramenta contra a violência de Estado e os desaparecimentos forçados que marcam a região historicamente. A partir das 17h, será exibido o documentário Nossos Mortos Têm Voz, da Quiprocó Filmes, seguido de roda de conversa com mães e familiares presentes.
Ao Brasil de Fato, a integrante do coletivo de mães da Baixada Fluminense, Renata dos Santos, afirmou que a sociedade precisa repensar o apoio a políticas de extermínio que deixam marcas profundas. “Fica uma familiar que precisa de um apoio psicológico para continuar sua rotina, sua vida, mesmo faltando uma metade do coração. A gente precisa fazer esses atos para a memória deles e a nossa”, disse.
:: Quer receber notícias do Brasil de Fato RJ no seu WhatsApp? ::
O processo envolve o apoio do projeto de arteterapia desenvolvido em parceria entre a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e a Associação Fórum Grita Baixada. Em grupo, elas encontram formas de expressar a dor da perda, permitindo que o trauma individual se transforme em força coletiva para denunciar as tragédias que assolam os territórios periféricos.
“Nós, mães, não esquecemos nossos filhos, a gente lembra a cada minuto, a cada instante. Infelizmente, vivemos em uma sociedade doente que apoia o desaparecimento forçado, a morte, mas não pensa no que uma morte e um desaparecimento faz ao seu redor. A pessoa sumiu ou morreu, mas atrás fica um familiar, uma mãe, um irmão, um pai. As pessoas precisam olhar com mais carinho e sensibilidade. Hoje foi meu filho, de uma amiga, uma conhecida, amanhã pode ser o seu. Estamos vivendo um Estado genocida. A classe pobre, periférica, preta, não tem vez, a gente não tem voz”, refletiu Renata dos Santos.
O ato também carrega o peso dos 21 anos da Chacina da Baixada, uma das maiores do Rio de Janeiro, cometida por policiais militares em uma sequência de execuções nos municípios de Nova Iguaçu e Queimados em 31 de março de 2005.
A atividade desta quarta (6) é organizada pela Associação Fórum Grita Baixada (AFGB), Rede de Mães e Familiares de Vítimas de Violência de Estado da Baixada Fluminense, e Rede de Educação Popular da Baixada Fluminense.
Serviço
Ato do Dia das Mães com ativistas de direitos humanos vítimas da violência de Estado e de desaparecimentos forçados
Data: quarta-feira (6)
Horário: a partir das 17h
Local: Praça dos Direitos Humanos (Nova Iguaçu)
Mais informações nas redes sociais (neste link).
