Nós, do CPHIS, repudiamos a participação da StandWithUs como promotora ou partícipe de formações para colegas da Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre. A postura sionista da StandWithUs diante do genocídio promovido contra o povo palestino tem sido alvo de críticas por pesquisadores, historiadores, movimentos de direitos humanos e pela opinião pública que se solidariza à luta contra o massacre promovido pelo Estado sionista de Israel. A organização, que se apresenta como educativa e voltada ao combate ao antissemitismo, tem atuado de forma consistente na defesa das ações genocidas do governo israelense.
A crítica fundamental à organização é que ela parece operar muito menos como promotora de diálogo e mais como aparelho ideológico de legitimação estatal israelense. Desde o início da ofensiva em Gaza, após os ataques de 7 de outubro de 2023, a StandWithUs adotou uma narrativa centrada quase exclusivamente no direito de uma suposta autodefesa de Israel e na caracterização do Hamas como ameaça terrorista, justificando o massacre contra a população palestina.
Em comunicados oficiais, a organização repudiou as acusações, levadas à Corte Internacional de Justiça, chamando-as de “caluniosas” e defendendo que Israel estaria apenas exercendo seu direito de defesa. O problema central dessa postura está em desconsiderar ou negar o genocídio do povo palestino e na recusa em reconhecer a dimensão da destruição em Gaza. Enquanto organismos internacionais e especialistas em direitos humanos passaram a alertar para as práticas genocidas ou para a produção deliberada de condições inabitáveis à população palestina, a StandWithUs manteve sua política absurda de defesa incondicional das ações do governo israelense. A organização frequentemente utiliza a acusação de antissemitismo para deslegitimar denúncias sobre crimes de guerra, apartheid e limpeza étnica. No Brasil, representantes da StandWithUs classificam como “antissemita” toda crítica ao genocídio praticado contra o povo palestino, inclusive a justa comparação da ofensiva israelense em Gaza com o Holocausto.
Não há dúvidas quanto à necessidade de denunciar o antissemitismo. Mas o que se trata aqui é refletir e rejeitar o uso político desse conceito para silenciar solidariedade ao povo palestino e restringir críticas ao Estado de Israel. Ao tentar confundir a opinião pública igualando conceitos totalmente distintos como “antissemitismo” e “antissionismo”, a StandWithus corrobora ataques, intimidações e até condenações de ativistas que ousam questionar as políticas genocidas do Estado de Israel. Importante lembrar que a StandWithUs frequentemente promove campanhas contra movimentos pró-Palestina, especialmente iniciativas ligadas ao BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções). A StandWithUs promove uma visão islamofóbica sobre o povo palestino. Os materiais “educativos” da organização tendem a retratar a população palestina de maneira desumanizada, enquanto justificam a violência israelense como simples “autodefesa”.
O discurso desta organização reforça uma narrativa colonial e racista em que vidas palestinas aparecem como descartáveis. Uma crítica ética fundamental à postura da StandWithUs é que ela parece incapaz de reconhecer a assimetria brutal entre Israel e Palestina, pois ao colocar toda a responsabilidade da violência sobre o Hamas e ignorar décadas de ocupação, bloqueio e expansão colonial, a organização acaba legitimando uma política militar que já provocou dezenas de milhares de mortes palestinas, destruição massiva de infraestrutura civil e deslocamento em massa da população de Gaza.
Defender os direitos do povo judeu e combater o antissemitismo são objetivos legítimos e indispensáveis. Contudo, quando essa defesa se transforma em justificativa para a destruição de um povo inteiro ou para a negação de seu sofrimento, ela perde sua dimensão humanitária e se converte em instrumento político de legitimação da violência. A crítica à StandWithUs surge justamente desse ponto: da percepção de que a organização escolhe defender um projeto estatal acima dos princípios universais de direitos humanos e da dignidade da vida palestina. Portanto, é inadmissível esta organização sionista promover formações para colegas da Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre.
*Coletivo de Professoras e Professores de História da Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre (CPHIS).
**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.
