greve na educação

‘Pedimos sensibilidade da reitoria da USP: sentem e negociem’, diz professor Daniel Cara

Educador afirma que proposta dos universitários é razoável e instituição está irredutível

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Mobilização dos estudantes contou com o apoio de professores municipais e parlamentares de partidos de esquerda | Crédito: Guilherme Jeronymo/Agência Brasil

Professores da Universidade de São Paulo (USP) aprovaram na segunda-feira (25) a paralisação da categoria por reajuste salarial e declararam apoio à greve dos estudantes que já dura mais de um mês.

Entre as principais reivindicações dos alunos, está o aumento do auxílio para permanência estudantil, que hoje é de R$ 885. Os estudantes defendem que o valor passe a equivaler ao salário mínimo paulista. Já os professores pedem reajuste salarial com base na inflação, mais recomposição de perdas acumuladas. A mobilização ganhou força após a desocupação da reitoria da USP pela Polícia Militar no campus do Butantã, em São Paulo (SP). 

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Daniel Cara, professor da Faculdade de Educação da USP, avalia a situação atual da universidade como “muito grave” e diz que houve tentativa frustrada de mediação entre a reitoria e os estudantes. “Os estudantes apresentaram, com uma boa base técnica, uma proposta alternativa de R$ 1.096, muito próximo do que a reitoria propõe [R$ 902]. Mas infelizmente os membros da reitoria não aceitaram esse valor e sequer se propuseram a analisar a proposta com profundidade. Então os outros membros da comissão de mediação acabaram desistindo de permanecer na comissão”, afirma. “A gente volta para uma situação de impasse, com um novo elemento que é a adesão dos professores, por meio da Adusp, à greve.”

Cara diz que falta abertura da reitoria para negociação e pede que o órgão estabeleça um diálogo com os estudantes e com os professores, uma vez que as reinvindicações são plausíveis. “Eu espero que isso se resolva, porque não dá para a universidade ficar tanto tempo parada e as reivindicações são reivindicações justas. O que nós pedimos é uma sensibilidade da reitoria, para que ela sente e negocie. O valor que os estudantes apresentaram pelo programa de permanência para nós é bastante razoável. Em uma mesa de negociação normal, nós estaríamos próximos de uma resolução para essa greve”, diz.

O Brasil de Fato procurou a USP para saber se a instituição gostaria de se manifestar sobre o tema. O texto será atualizado caso haja resposta.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Thaís Ferraz

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