27 de abril

Mata Atlântica tem só 24% de cobertura original: ‘É preciso refletir sobre o que representa esse bioma’, diz geógrafo

Wagner Ribeiro destaca que um hectare do bioma é mais biodiverso do que a própria Floresta Amazônica

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Área destruída passou de 53 mil hectares para pouco mais de 38 mil
Mata Atlântica é um dos biomas mais ricos e ao mesmo tempo mais ameaçados do mundo | Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

Nesta quarta-feira (27), celebra-se o Dia da Mata Atlântica, um dos biomas mais ricos e ao mesmo tempo mais ameaçados do mundo, mesmo com a redução de 28% no desmatamento em 2025, segundo a Fundação SOS Amazônia. Estima-se que apenas 24% da cobertura original do bioma esteja preservada.

A data serve como um alerta para conscientizar a população sobre a conservação, recuperação e também o uso sustentável da Mata Atlântica.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Wagner Ribeiro, geógrafo e professor de pós-graduação em Ciência Ambiental da Universidade de São Paulo (USP), avalia que é um momento importante de reflexão sobre o que representa esse importante bioma para a população brasileira.

“Vamos lembrar que a faixa de até 100 km do litoral para o interior do continente é onde nós temos uma grande concentração da população brasileira. É justamente nessa faixa que tínhamos a Mata Atlântica. Vamos lembrar a chegada dos portugueses, dos europeus, com o primeiro modelo de plantation para introduzir cana-de-açúcar, ou seja, as diversas formas de exploração e ocupação do território brasileiro, que era dos indígenas, é sempre bom se dizer. Isso foi aos poucos minando, retirando essa mata, essa cobertura vegetal original a ponto de chegar a esses números preocupantes”, afirma.

Ribeiro destaca que, apesar desse modelo de destruição que se perpetua, há também experiências importantes que têm visado recuperar essa cobertura. “No sul da Bahia, a gente tem o plantio do cacau associado à Mata Atlântica, que mostra que não se trata apenas de recuperar a área, mas de agregar algumas espécies que podem ser comercializadas. Eu diria que é um numero ruim, sem dúvida, mas temos sinais importantes que indicam que a gente pode, pouco a pouco, recuperar essas áreas”, pontua.

Wagner Ribeiro destaca que um hectare de Mata Atlântica é mais biodiverso do que a própria Floresta Amazônica. “Evidente que quando a gente recupera essas áreas, a gente recupera essa biodiversidade e ainda combate o aquecimento global. De fato, a gente só tem a ganhar ao recuperar esse bioma. E quando a gente segue para o interior de São Paulo, por exemplo, a gente vê o desmatamento avançando”, afirma.

Um outro bioma bastante castigado no Brasil é o Cerrado. Segundo um levantamento divulgado pelo MapBiomas, a região permaneceu como o bioma mais devastado do Brasil em 2025 mesmo com uma queda de 16% no desmatamento.

“O Cerrado tem um papel fundamental na distribuição das águas no território brasileiro. Vamos lembrar que as principais bacias brasileiras têm no Cerrado a maior fonte de abastecimento hídrico. Estamos falando de uma substância central que é a água e esse desmatamento acelerado vem basicamente pela pressão do cultivo de soja e depois da pecuária”, avalia. “Isso é muito preocupante.”

Segundo o professor, para reverter o processo de destruição, é preciso levantar claramente as áreas degradadas. “Hoje temos muito conhecimento para inclusive produzir nessas áreas degradadas e recuperar a área. Outra coisa é mudar o modelo de ocupação desses locais, que hoje são de grandes latifúndios. Nós podemos recuperar essas áreas com pequenas propriedades e assentamentos rurais, aproveitando para promover a rotação de cultura”, exemplifica.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Thaís Ferraz

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