Antipatriotismo

Alckmin diz que família Bolsonaro usa o PCC e CV para ‘gerar factoides’ e fugir do escândalo Master

Alckmin afirmou que ofensiva bolsonarista junto ao governo dos EUA pode trazer impactos econômicos e financeiros ao país

No audio source provided.
Foto publicada por Flávio Bolsonaro após encontro com Donald Trump.
Foto publicada por Flávio Bolsonaro após encontro com Donald Trump | Crédito: Reprodução

O vice-presidente Geraldo Alckmin criticou, nesta sexta-feira (29), a movimentação de aliados da família Bolsonaro junto a grupos ligados ao movimento Maga (Faça a América Grande Novamente, em tradução livre) dos Estados Unidos para pressionar pela classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

Sem citar diretamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Alckmin afirmou que integrantes do “clã Bolsonaro” atuam mais em defesa dos próprios interesses do que do país.

Durante agenda em Caraguatatuba, litoral norte de São Paulo, o vice-presidente disse lamentar que o tema do combate ao crime organizado esteja sendo utilizado para “gerar factoides” e desviar o foco de denúncias envolvendo o Banco Master, citado por ele como um “gravíssimo caso de corrupção e sonegação”.

“O que eu lamento nesse episódio é que, infelizmente, muitos membros do clã Bolsonaro pensam mais em si do que no país”, afirmou Alckmin. “Ficam gerando factoides, fatos novos, para desviar a atenção da questão do Banco Master.”

A fala ocorre em meio à articulação de bolsonaristas junto ao governo dos EUA para enquadrar facções criminosas brasileiras como grupos terroristas — movimento que, segundo críticos, pode abrir margem para interferência estrangeira em assuntos internos do Brasil e ampliar pressões econômicas e diplomáticas contra o país.

Alckmin afirmou que o combate ao crime organizado já está sendo feito pelas instituições brasileiras e citou a aprovação recente da chamada “lei antifacção”, além de operações da Polícia Federal e da Receita Federal contra esquemas bilionários de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal no setor de combustíveis.

“O combate ao crime organizado é feito por terra, mar e ar”, declarou. “Todo o empenho no combate ao crime organizado.”

O vice-presidente também alertou para possíveis impactos econômicos e financeiros da ofensiva bolsonarista no exterior. Segundo ele, a estratégia “não vai resolver nada” no enfrentamento ao crime e ainda pode prejudicar o Brasil. “Isso é ruim para o Brasil. Pode ter consequências na área do sistema financeiro, na área da economia”, arrematou.

A ida de Flávio Bolsonaro aos EUA foi uma reação às reportagens do The Intercept que mostram as relações do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e a produção do filme “Dark Horse”. Flávio pediu R$ 134 milhões a Vorcaro para financiar a produção e há suspeitas de que o dinheiro tenha sido usado para financiar a atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos EUA.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou, na quinta-feira (28), que vai classificar o PCC e o CV como organizações terroristas a partir de 5 de junho. A medida inclui as duas facções brasileiras nas categorias de “organizações terroristas estrangeiras” e “terroristas globais especialmente designados”, segundo comunicado divulgado pelo governo estadunidense.

Editado por: Rafaella Coury

|

Newsletter