O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), anunciou a desistência da pré-candidatura ao Senado em meio ao envolvimento com escândalos de favorecimento à Refinaria de Manguinhos (Refit) e de possíveis desvios da Rioprevidência para serem aplicados no Banco Master. Com isso, o Partido Liberal (PL), que já vem tendo que lidar com o enfraquecimento da pré-candidatura à presidência de Flávio Bolsonaro por causa do envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro, se vê atingido por mais uma bomba.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o cientista político Rafael Cortez avalia como natural a desistência de Castro, considerando todo o histórico do ex-governador. “Já era uma candidatura que, do ponto de vista jurídico, apresentava desafios e, depois, com a investigação mais recente da Polícia Federal, o custo político acabou ficando exorbitante, seja pelas chances eleitorais do ex-governador, mas, sobretudo, pelo impacto que a sua candidatura eventual ao Senado poderia trazer ao projeto presidencial do partido, ao projeto presidencial do PL na figura do Flávio Bolsonaro”, afirma.
Cortez destaca que Flávio Bolsonaro fez carreira política no Rio de Janeiro. “Pelo menos no âmbito do estado, que é um dos maiores colégios eleitorais do país, a tendência era uma forte associação e, eventualmente, prejudicando a força eleitoral do bolsonarismo na disputa presidencial. A tendência, me parece, ainda é trazer e fazer uma opção por um nome do próprio PL, mas precisa ser um nome que não traga muita agenda negativa, porque está todo mundo muito de olho no Rio de Janeiro”, analisa.
O cientista político lembra que o objetivo primordial para o PL é estancar a sangria gerada para a candidatura de Flávio Bolsonaro. “Justamente num momento em que a gente deve ter um reforço da polarização política.”
Nesse sentido, Rafael Cortez também avalia como a decisão de Donald Trump de classificar Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas pode impactar esse processo eleitoral no Brasil. “É um tema que deve mobilizar bastante apoiadores e críticos na política nacional. É uma decisão do governo americano, mas que na verdade mexe em um quadro político muito complexo e uma parte desse desdobramento político eleitoral que o caso deve trazer deve ser um tema muito mobilizado pelas campanhas presidenciais”, afirma.
“Curiosamente, a eleição de 2026 pode ser marcada por aquela que mais vai dar espaço para as relações bilaterais Brasil-Estados Unidos como um tema de campanha, não só pensando em relações internacionais, mas sobretudo pensando nos temas externos e como essa agenda da relação com os Estados Unidos, com o Donald Trump, ajuda nas respectivas narrativas políticas feitas tanto pela campanha de reeleição do presidente Lula como pelo projeto de oposição liderado pelo Flávio Bolsonaro. Nesse sentido, essa agenda negativa em torno do Cláudio Castro vai ser importante para o governo mobilizar e se contrapor ao discurso da oposição de fazer críticas à agenda de segurança pública, que é um tema percebido pelo eleitorado como muito relevante”, considera Cortez.
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